Levita de Deus Nunes, de 109 anos, Zoraide de Deus Mota, de 104, e Zulina de Deus Nunes, de 103, foram reconhecidas pelo Guinness World Records como o trio de irmãos vivos mais velhos do mundo.
O feito, confirmado nas últimas semanas, chamou atenção de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), que decidiram incluir o material genético das três no Projeto DNA Longevo.
A iniciativa é coordenada pela geneticista Mayana Zatz, no Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco da USP. O projeto reúne brasileiros centenários para investigar quais características biológicas estão associadas à preservação da saúde ao longo das décadas.
Cientistas querem identificar fatores ligados ao envelhecimento saudável
O estudo parte da hipótese de que variantes genéticas específicas podem reduzir a vulnerabilidade do organismo a doenças comuns na velhice.
Os pesquisadores comparam o DNA de centenários ao de idosos que desenvolveram perda cognitiva, fragilidade física ou doenças crônicas.
Segundo a equipe, o objetivo não é localizar um único “gene da longevidade”, mas compreender combinações de mecanismos que favoreçam o envelhecimento saudável. Padrões consistentes identificados na pesquisa poderão orientar futuros estudos sobre prevenção de doenças ligadas à idade.
A USP pretende ampliar o projeto para cerca de 500 participantes. O aumento da amostra deve elevar a confiabilidade das análises e permitir a comparação entre diferentes perfis de envelhecimento no Brasil.
História de vida também entra na investigação
Além da genética, a pesquisa avalia fatores ambientais e comportamentais que podem ter contribuído para a longevidade dos participantes. No caso das três irmãs, a equipe vai analisar a alimentação ao longo da vida, a rotina de atividades e o contexto familiar em que envelheceram.
Levita, Zoraide e Zulina vivem próximas umas das outras no Rio de Janeiro e mantêm contato familiar frequente. Para os pesquisadores, essa rede de convivência é um fator considerado relevante para o bem-estar na velhice.
As irmãs atribuem a longevidade a hábitos cultivados desde a juventude, como alimentação baseada em produtos frescos e rotina fisicamente ativa.
Os cientistas, no entanto, destacam que não existe fórmula única para alcançar os 100 anos.
A expectativa da equipe da USP é que o cruzamento entre dados genéticos e informações sobre o estilo de vida ajude a explicar por que algumas pessoas preservam autonomia e saúde por mais tempo.
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