Por décadas, filmes e séries ajudaram a consolidar a imagem de que o tiranossauro-rex já nascia como um predador imponente. Agora, um estudo publicado na revista científica Biology sugere que os primeiros meses de vida do animal eram bem diferentes do que a cultura popular imaginou.
A pesquisa descreve os primeiros fósseis atribuídos a filhotes recém-nascidos de Tyrannosaurus rex e traz novas pistas sobre o tamanho, o desenvolvimento e a estratégia reprodutiva da espécie. Segundo os cientistas, os animais pesavam apenas cerca de 2,5 quilos ao nascer — menos de 0,1% da massa de um adulto, que podia ultrapassar as oito toneladas.
Ossos esquecidos em museus ajudaram a resolver um mistério
Os fósseis analisados já faziam parte de coleções de museus da América do Norte, mas haviam passado décadas sem receber atenção especial. A equipe liderada pelo paleontólogo Nicholas Longrich, da Universidade de Bath, no Reino Unido, percebeu que alguns ossos apresentavam uma estrutura muito porosa, típica de animais em fase inicial de crescimento.
Após comparar os fragmentos com outros fósseis do período Cretáceo, os pesquisadores concluíram que eles pertenciam aos exemplares mais jovens de tiranossauro já identificados. A descoberta preenche uma lacuna importante, já que fósseis de filhotes de grandes dinossauros carnívoros são extremamente raros.
Filhotes eram menores do que os cientistas imaginavam
As estimativas apontam que os recém-nascidos tinham aproximadamente 75 centímetros de comprimento e peso semelhante ao de um cachorro de pequeno porte. O resultado surpreendeu os pesquisadores, porque algumas hipóteses anteriores sugeriam que os filhotes nasceriam muito maiores.
O estudo também indica que o crescimento do T. rex era ainda mais acelerado do que se pensava. Em poucos anos, um animal que começava a vida com apenas alguns quilos podia se transformar em um dos maiores predadores terrestres da história.
Imagems: YouTube/Fossil Crates
Os fósseis revelaram ainda sinais de desgaste nos dentes, sugerindo que os filhotes já consumiam vertebrados pouco tempo depois do nascimento.
Pesquisa traz novas pistas sobre a reprodução do tiranossauro
Com base no tamanho dos filhotes, os cientistas tentaram estimar como seria a reprodução da espécie. Os cálculos sugerem que uma fêmea adulta poderia colocar entre 20 e 30 ovos por ninhada, embora números maiores não sejam descartados. Até hoje, porém, nenhum ovo foi atribuído definitivamente ao Tyrannosaurus rex.
Os autores argumentam que os tiranossauros provavelmente adotavam uma estratégia reprodutiva intermediária entre a observada em répteis modernos e a encontrada em aves. A hipótese é que os filhotes já fossem relativamente independentes desde cedo, embora ainda não existam evidências suficientes para determinar o nível de cuidado parental oferecido pelos adultos.
Novas descobertas podem mudar a visão sobre os dinossauros
Para os pesquisadores, a descoberta mostra a importância de revisitar fósseis armazenados em museus. Pequenos fragmentos, muitas vezes ignorados durante décadas, podem revelar detalhes fundamentais sobre a biologia e a evolução de espécies já conhecidas.
O trabalho também reforça que a imagem construída pelo cinema nem sempre acompanha os avanços da paleontologia. À medida que novas evidências surgem, cientistas conseguem reconstruir com mais precisão a história dos dinossauros e compreender melhor como esses animais cresceram e se adaptaram ao longo de milhões de anos.
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