Envelhecer melhor começa com mudanças pequenas que protegem força, memória e autonomia

3 Minuto de leitura

Adotar um conjunto de hábitos saudáveis pode trazer ganhos importantes para a saúde do cérebro durante o envelhecimento. É o que indica um estudo internacional conduzido em 11 países da América Latina, que mostrou que idosos com maior risco de desenvolver demência tiveram desempenho cognitivo significativamente melhor após dois anos de acompanhamento.

Publicada na revista científica The Lancet, a pesquisa acompanhou 1.065 pessoas entre 60 e 77 anos. Todos os participantes apresentavam fatores associados ao aumento do risco de demência e desempenho cognitivo abaixo do esperado para a faixa etária.

Ao fim do estudo, aqueles que seguiram um programa estruturado registraram melhora 55% maior na função cognitiva em relação aos voluntários que receberam apenas orientações gerais sobre saúde.

Intervenção reuniu exercícios, alimentação e estímulos mentais

Os participantes foram divididos em dois grupos. Um deles recebeu recomendações sobre alimentação, atividade física e prevenção de doenças. O outro participou de um programa mais amplo, que reuniu cinco frentes de atuação: prática regular de exercícios, alimentação equilibrada, controle de fatores de risco cardiovasculares, treinamento cognitivo e incentivo à convivência social.

Embora ambos tenham apresentado evolução ao longo dos 2 anos, os melhores resultados apareceram entre aqueles que participaram da intervenção completa.

Os benefícios não ficaram restritos à memória. A pesquisa também identificou melhora em habilidades ligadas ao planejamento, à atenção e à tomada de decisões, funções essenciais para tarefas do dia a dia, como administrar compromissos, organizar finanças e resolver problemas de forma independente.

Modelo foi adaptado à realidade da América Latina

O estudo, chamado Latam-FINGERS, adaptou para países latino-americanos um programa de prevenção criado originalmente na Finlândia.

Em vez de reproduzir as recomendações de forma idêntica, os pesquisadores ajustaram orientações alimentares e atividades de acordo com os costumes e as condições de cada país.

No Brasil, as orientações nutricionais levaram em conta características da dieta da população e as dificuldades de acesso a alguns alimentos. Segundo os pesquisadores, essa adaptação contribuiu para a boa adesão dos participantes, indicando que estratégias desse tipo podem ser implementadas também em países de média renda.

Os autores destacam que os resultados não significam que a demência possa ser evitada em todos os casos. Ainda assim, reforçam evidências de que fatores ligados ao estilo de vida influenciam a saúde cerebral e que intervenções iniciadas antes do aparecimento da doença podem retardar a perda das funções cognitivas.

Partilhe esta notícia