Quando Blaine e Janis Carmena começaram a procurar um barco na internet, imaginavam encontrar uma embarcação elegante para aproveitar momentos de lazer. O que não esperavam era se apaixonar por um antigo iate praticamente abandonado, coberto por mofo, com sistemas quebrados e sinais evidentes de anos sem manutenção.
A compra, que à primeira vista parecia um enorme problema, acabou mudando completamente a vida da família canadense. Hoje, o barco reformado é a casa onde eles vivem e o centro de um projeto que conquistou milhares de seguidores nas redes sociais.
O barco parecia muito diferente das fotos
A história começou em 2019, quando Blaine encontrou um anúncio de um iate de alumínio construído em 1969 pelo tradicional estaleiro Stephens Bros., na Califórnia. As imagens chamaram a atenção pelas linhas clássicas da embarcação, mas a realidade encontrada foi bem diferente.
O casal viajou de Victoria, na província canadense da Colúmbia Britânica, até Wrangell, no Alasca, para conhecer o barco pessoalmente. Ao chegar, Janis teve a impressão de que estava diante de uma embarcação completamente diferente daquela mostrada no anúncio.
Segundo ela, o iate estava coberto por uma lona, tomado por mofo preto, sem iluminação funcionando e sem sistema de aquecimento. O casco também acumulava algas e mexilhões, consequência do longo período parado na água.
Mesmo diante do cenário pouco animador, os dois sentiram que aquele era o projeto certo para assumir.
Experiência no mar ajudou na decisão
A escolha não foi totalmente impulsiva. Antes de construírem suas carreiras em terra firme, Janis e Blaine haviam passado anos trabalhando em iates de luxo.
Os dois se conheceram nesse ambiente, se casaram em 2002 e, posteriormente, decidiram mudar de vida. Janis passou a atuar na polícia canadense, enquanto Blaine criou uma empresa especializada na construção e personalização de carros de alta performance.
Apesar da mudança radical de rotina, a conexão com o mar nunca desapareceu completamente.
Por isso, quando encontraram o antigo iate, batizado na época de Wind Barker, decidiram apresentar uma proposta de compra. A oferta inicial foi recusada, mas acabou sendo aceita pouco tempo depois.
A reforma começou com a própria família morando a bordo
Depois da aquisição, o barco recebeu um novo nome: Tangaroa, referência ao deus maori associado ao mar.
A primeira etapa foi levá-lo do Alasca para o Canadá. Mesmo sem conhecer completamente as condições da embarcação, o casal realizou a travessia em cerca de dez dias, confiando na experiência acumulada ao longo dos anos de trabalho na navegação.
Ao chegar, começou uma longa lista de reparos. A prioridade era tornar o espaço habitável. Nos primeiros meses, a família passava os dias na cidade e utilizava o barco apenas nos fins de semana, dormindo em um colchão improvisado no único ambiente que possuía aquecimento.
Com o avanço das reformas e o fim do ano letivo dos filhos Josh e Izzie, a mudança definitiva aconteceu. O que inicialmente era um projeto de restauração passou a ser também uma nova forma de morar.
Um projeto que virou sucesso na internet
Ao longo dos anos, o casal instalou sistemas de energia solar, substituiu equipamentos, realizou reparos estruturais e modernizou diversos ambientes internos da embarcação.
O processo passou a ser documentado em um canal no YouTube chamado The Never-Ending Sea Trial (“O Teste de Mar Sem Fim”, em tradução livre). Os vídeos mostram desde os desafios da reforma até a rotina da família vivendo em uma casa flutuante.
Segundo Blaine, boa parte do interesse do público vem justamente da transparência com que eles mostram os problemas encontrados pelo caminho, sem tentar esconder as dificuldades de restaurar uma embarcação com mais de cinco décadas de história.
De barco abandonado a plano para cruzar oceanos
Embora o Tangaroa ainda esteja em constante transformação, ele está longe da embarcação deteriorada encontrada no Alasca anos atrás.
O casal estima ter investido cerca de 200 mil dólares canadenses na restauração e continua trabalhando em melhorias, incluindo planos para transformar o barco em um modelo híbrido-elétrico.
Os próximos sonhos envolvem viagens de longa distância para destinos como Japão, Indonésia, Filipinas e Austrália.