Cidade flutuante para 80 mil pessoas promete viver no mar, mas o projeto parece mais ambicioso do que qualquer cruzeiro

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Imagine uma cidade inteira navegando pelos oceanos sem nunca precisar atracar em um porto. Com moradores permanentes, escolas, hospitais, áreas de lazer e até um estádio, essa é a proposta do Freedom Ship, um projeto que há décadas tenta transformar em realidade a ideia de uma comunidade flutuante em escala inédita.

Embora ainda exista apenas no papel, a iniciativa voltou a chamar atenção em 2026 ao retomar a busca por investidores. Se sair do papel, o empreendimento promete ir muito além do conceito de navio de cruzeiro e criar uma espécie de cidade autossuficiente em águas internacionais.

Um navio do tamanho de uma pequena cidade

O Freedom Ship foi idealizado para ser uma das maiores estruturas marítimas já concebidas. Segundo os planos divulgados pelos responsáveis pelo projeto, a embarcação teria cerca de 1,6 quilômetro de comprimento e mais de 30 andares de altura.

A proposta prevê capacidade para aproximadamente 80 mil pessoas. Desse total, cerca de 50 mil seriam moradores permanentes, enquanto os demais incluiriam tripulantes, profissionais responsáveis pelos serviços e visitantes temporários.

Na prática, a embarcação funcionaria como uma cidade em movimento, reunindo moradia, trabalho, comércio e lazer em um único espaço.

Como seria viver permanentemente no oceano?

Para que milhares de pessoas possam viver por longos períodos longe da costa, o projeto prevê a construção de uma infraestrutura semelhante à encontrada em centros urbanos tradicionais.

Os planos incluem escolas, hospitais, bancos, áreas verdes, centros comerciais, restaurantes e espaços de entretenimento. Um dos destaques é a proposta de um estádio com capacidade para cerca de 15 mil espectadores.

Imagem: Reprodução/Tangram 3DS

A ideia é que os moradores possam realizar praticamente todas as atividades do cotidiano sem precisar deixar a embarcação. Quando necessário, a conexão com o continente seria feita por meio de balsas, ferries e embarcações auxiliares.

Por que a cidade não poderia atracar em portos?

O tamanho planejado para o Freedom Ship cria um desafio pouco comum na engenharia naval.

Por suas dimensões, a estrutura não conseguiria utilizar portos convencionais existentes atualmente. Por isso, o conceito prevê que a cidade permaneça a maior parte do tempo em águas internacionais, funcionando de forma relativamente independente da infraestrutura terrestre.

Esse modelo faz parte da proposta original do projeto, que busca criar uma comunidade global em constante deslocamento pelos oceanos.

A aposta em energia nuclear

Um dos aspectos mais debatidos do Freedom Ship envolve a forma como a embarcação seria alimentada energeticamente.

Os idealizadores defendem o uso de tecnologia nuclear para fornecer energia ao complexo. Segundo os responsáveis pelo projeto, essa solução permitiria manter os sistemas essenciais em funcionamento durante longos períodos e reduzir as emissões associadas ao transporte marítimo convencional.

Ainda assim, a proposta levanta discussões sobre segurança, custos de operação, regulamentação internacional e impactos ambientais, temas que costumam acompanhar projetos envolvendo energia nuclear em larga escala.

Um sonho que existe há mais de 30 anos

A ideia da cidade flutuante surgiu nos anos 1990, a partir de um conceito desenvolvido pelo engenheiro Norman Nixon. Desde então, o projeto passou por diferentes fases, ganhou repercussão internacional e enfrentou longos períodos de inatividade.

Agora, os responsáveis afirmam estudar um modelo de construção por módulos, com partes da estrutura sendo produzidas na Indonésia e posteriormente montadas em alto-mar.

Apesar do retorno às discussões, o Freedom Ship continua distante da fase de execução.

O maior desafio continua sendo o dinheiro

Mais do que os desafios tecnológicos, a principal barreira para transformar a cidade flutuante em realidade continua sendo o financiamento.

As estimativas divulgadas pelos promotores apontam que o empreendimento exigiria investimentos de aproximadamente 12 bilhões de libras esterlinas, valor que equivale a dezenas de bilhões de reais.

Por isso, a nova fase do projeto está concentrada principalmente na busca por investidores dispostos a financiar a construção. Sem a captação desses recursos, a ideia permanece como uma das propostas mais ambiciosas já concebidas para a vida no mar.

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