Durante coletiva de imprensa após megaoperação na Rocinha, Zona Sul do Rio de Janeiro, no sábado (31), o procurador-geral de Justiça do Rio afirmou que integrantes de uma facção criminosa do Ceará gravavam vídeos em que apareciam jogando futebol com as cabeças de inimigos executados. O grupo, segundo o Ministério Público, é responsável por mais de mil homicídios no estado do Ceará nos últimos dois anos.
A facção atuava com apoio logístico do Comando Vermelho (CV) e mantinha base operacional em uma mansão de luxo no alto da Rocinha. O local abrigava líderes do grupo, que operavam à distância com auxílio de integrantes enviados do Nordeste. O procurador também afirmou que motosserras eram usadas para esquartejar as vítimas, cujas execuções eram filmadas pelos próprios criminosos.
Facção utilizava imóvel de alto padrão na Rocinha para comando à distância
A mansão identificada pelas autoridades possuía duas piscinas aquecidas, cascata, área gourmet, academia com equipamentos novos e um deck panorâmico. Também foram encontrados vestígios de festas recentes, com carnes, gelo e bebidas no local. De acordo com os investigadores, o imóvel era utilizado como alojamento para membros do grupo transferidos do Ceará.
O imóvel foi atribuído ao principal suspeito de liderar o tráfico de drogas em uma cidade do interior cearense, que possui cinco mandados de prisão em aberto por homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa.
Operação conjunta entre MP do Rio e do Ceará mirou a cúpula da organização
A operação foi resultado do trabalho conjunto dos Grupos de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) dos Ministérios Públicos do Rio de Janeiro e do Ceará. A Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Rio coordenou a ofensiva, que mobilizou 80 agentes das forças especiais para o cumprimento de 29 mandados de prisão e 14 de busca e apreensão.
Durante a ação, cerca de 400 agentes do Bope e outras unidades atuaram com o apoio de drones e helicópteros que transmitiam imagens em tempo real para o Quartel-General da Polícia Militar. O governador do Rio de Janeiro acompanhou a operação ao lado de promotores e autoridades de segurança dos dois estados.
Confronto armado, feridos e fuga em massa
No momento da incursão, criminosos fugiram para a mata da Rocinha. Houve troca de tiros e um policial foi baleado no pescoço, mas foi socorrido e seu estado de saúde é considerado estável. Um dos foragidos com mandado de prisão foi capturado.
Segundo estimativas das forças de segurança, aproximadamente 400 criminosos conseguiram escapar pela mata durante a ofensiva. Na operação, foram apreendidos quatro fuzis, duas pistolas, um revólver, um fuzil de airsoft, além de munições e drogas.
Facção tinha apoio do Comando Vermelho e estrutura criminosa no Rio
De acordo com o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, todos os alvos da operação são naturais do Ceará e filiados ao Comando Vermelho. A instalação da facção na cidade foi viabilizada por redes criminosas locais já consolidadas.
O secretário também destacou que o “home office” do crime foi intensificado após a pandemia e a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF 635, que restringiu operações policiais em comunidades cariocas. Segundo ele, esse contexto favoreceu a permanência prolongada dos líderes da facção em áreas como a Rocinha.
