Na manhã de terça-feira, 28 de outubro, uma megaoperação conjunta das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro nos complexos da Penha e do Alemão resultou na morte de dois integrantes do Comando Vermelho (CV) ligados ao Grande Pirambu, em Fortaleza.
A ação, batizada de Operação Contenção, visa desarticular a estrutura nacional da facção e impedir sua expansão para outros estados. Segundo o Governo do Rio de Janeiro, a ofensiva mobilizou 2.500 agentes em uma área de 9 milhões de metros quadrados, o equivalente a duas vezes o bairro de Copacabana.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) confirmou que o CV utiliza o território fluminense como centro de comando para coordenar atividades em estados como Ceará e Bahia, incluindo distribuição de drogas e controle de pontos de venda.
Mortes no Ceará ligadas à operação no Rio
Durante os confrontos, foram mortos Josigledson de Freitas Silva, conhecido como Trakino, de 34 anos, e Carlos Mateus da Silva Alencar, o Skidum. Ambos eram apontados como integrantes da facção no Grande Pirambu. Trakino tinha histórico policial por tráfico de drogas e porte ilegal de arma, além de ser alvo de mandado de prisão por homicídio, conforme registros do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) do Ceará.
Além disso, a operação resultou na morte de dois policiais civis, dois militares, e deixou oito agentes feridos. Três civis foram atingidos. Ao todo, 81 pessoas foram presas e 42 fuzis apreendidos, segundo balanço oficial divulgado pelo governo estadual.
Estrutura da operação e alvos estratégicos
A ação contou com o uso de drones, helicópteros, blindados e veículos de demolição, além da participação de unidades especializadas da Polícia Civil e do Comando de Operações Especiais da PMERJ. Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) também atuaram na operação.
A operação é considerada a terceira mais letal da história do Rio de Janeiro, atrás apenas das ações no Jacarezinho (2021) e Vila Cruzeiro (2022), segundo levantamento do G1.
Expansão e articulação nacional da facção
De acordo com o MPRJ, a facção mantém uma rede de articulação entre lideranças em diferentes estados, com os complexos da Penha e do Alemão funcionando como centros de comando. A operação teve como objetivo interromper essa cadeia de comando e enfraquecer a capacidade de expansão interestadual do CV.
O secretário de Segurança Pública do Rio, Victor Santos, afirmou que a operação ainda está em andamento e que há monitoramento constante para evitar fugas. “Estamos posicionados em toda a região e acompanhando os movimentos dos criminosos”, declarou à Agência Brasil.
