Na manhã de terça-feira, 28 de outubro, o advogado João Carlos de Barros Filho, de 61 anos, foi assassinado a facadas por um cliente em seu escritório, localizado no Centro de Piraí, município do Sul Fluminense. A agressão também deixou a secretária do advogado, de 43 anos, gravemente ferida. O autor do crime, um servidor público, foi morto por um policial militar após desobedecer ordens para cessar o ataque.
Segundo informações da Polícia Civil e da 94ª Delegacia de Piraí, o agressor chegou ao local por volta das 10h, exaltado, alegando insatisfação com o resultado de um processo judicial. A discussão evoluiu rapidamente para violência física, culminando em um ataque com faca contra o advogado e sua funcionária.
Investigação aponta motivação ligada a processo judicial
De acordo com o delegado Antônio Furtado, o cliente teria mencionado que “mataria o advogado por ter perdido uma causa”. A motivação estaria relacionada à forma de repasse de valores obtidos em uma ação judicial. A secretária, que tentou intervir, também foi atingida com múltiplos golpes e permanece internada em estado grave no Hospital Flávio Leal, em Piraí.
O agressor foi neutralizado por um agente da Operação Segurança Presente, que estava próximo ao local. O policial interveio ao ouvir os gritos e flagrou o homem tentando golpear novamente a secretária. Após ignorar as ordens para parar, o agressor foi alvejado com três disparos e morreu no local.
Repercussão institucional e posicionamento da OAB
A Ordem dos Advogados do Brasil (OABRJ) e a Subseção de Piraí-Pinheiral emitiram nota conjunta lamentando o ocorrido. A entidade classificou o crime como um “ataque inaceitável à advocacia e ao livre exercício profissional”, destacando que acompanhará de perto as investigações e cobrará das autoridades a responsabilização dos envolvidos.
O corpo de João Barros foi velado na Câmara de Vereadores de Piraí e enterrado na manhã seguinte, 29 de outubro, no Cemitério Municipal. Familiares, colegas de profissão e autoridades locais estiveram presentes na cerimônia.
Segurança jurídica e proteção profissional em debate
Casos como este reacendem discussões sobre a segurança de profissionais do Direito no Brasil. Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, ataques contra advogados representam uma parcela crescente dos crimes motivados por disputas judiciais. A OAB nacional tem reforçado campanhas de proteção e protocolos de segurança em escritórios, especialmente em cidades do interior.
Além disso, o programa Segurança Presente, da Secretaria de Estado de Governo do Rio de Janeiro, tem sido destacado por sua atuação rápida em ocorrências urbanas. O agente envolvido na neutralização do agressor será ouvido pela corregedoria, como previsto em protocolo.
