Na terça-feira, 28 de outubro, uma megaoperação das forças de segurança do Rio de Janeiro nos complexos da Penha e do Alemão resulto, até o momento, em 132 mortes, segundo dados divulgados pela Defensoria Pública do Estado na manhã de quarta-feira (29).
A ação, batizada de Operação Contenção, envolveu cerca de 2.500 agentes das polícias Civil e Militar e tinha como objetivo combater a atuação do Comando Vermelho (CV) nas comunidades da Zona Norte.
Objetivos da operação e estrutura envolvida
A operação foi resultado de mais de um ano de investigação conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). O foco era cumprir 100 mandados de prisão contra integrantes da facção, incluindo 30 foragidos de outros estados, como Ceará e Pará.
O aparato logístico mobilizado incluiu drones, dois helicópteros, 32 blindados e 12 veículos de demolição. Durante a ação, foram apreendidos 93 fuzis, número que se aproxima do recorde histórico de apreensões mensais no estado.
Impacto na cidade e reação da população
A operação provocou interrupções em serviços públicos, com escolas fechadas, unidades de saúde suspensas e linhas de ônibus desviadas. Moradores relataram intensos tiroteios e o uso de drones por criminosos para lançar explosivos em áreas residenciais.
Na manhã de quarta-feira (29), dezenas de corpos foram dispostos por moradores na Praça São Lucas, no Complexo da Penha, em protesto pela ausência de reconhecimento oficial das mortes. A Polícia Militar informou que os corpos ainda passarão por perícia para confirmar vínculo com a operação.
Presos e alvos estratégicos
Entre os 81 presos, está Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como Belão, apontado como operador financeiro do CV e braço direito de Edgar Alves de Andrade, o “Doca” ou “Urso”. A prisão de Belão é considerada estratégica para enfraquecer o núcleo financeiro da facção.
Comparações históricas e dados oficiais
A Operação Contenção já é considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro, superando o Massacre do Carandiru, ocorrido em São Paulo em 1992, que deixou 111 mortos. Segundo o Instituto Fogo Cruzado, a ação representa cerca de 20% de todas as mortes em operações policiais no estado em 2025, que somam 353 vítimas até o momento.
