O presidente da Polônia, Karol Nawrocki, interrompeu a viagem ao Senegal e voltou ao país na sexta-feira (30), após a juíza mais antiga do Tribunal Constitucional, Anna Korwin-Piotrowska, suspender o presidente da corte, Bogdan Swieczkowski. Segundo o tribunal, ela assumiu o comando da instituição.
O afastamento aprofundou o conflito entre Nawrocki e o governo do primeiro-ministro Donald Tusk pelo controle do Judiciário. Centenas de pessoas se reuniram diante da corte na noite de sexta-feira, sob forte presença policial. Políticos de direita acusaram o governo de promover um “golpe contra o tribunal”.
“Em um momento como este, o presidente precisa estar na Polônia. Estou interrompendo meu voo para o Senegal. Estou voltando”, escreveu Nawrocki no X.
A disputa em torno do Tribunal Constitucional se prolonga há anos e, segundo o texto, praticamente paralisou a instituição. O governo pró-europeu e o presidente nacionalista não reconhecem indicações feitas pelo lado oposto. Tusk afirma que seu governo busca restabelecer o Estado de Direito; a União Europeia acusou governos anteriores do partido Lei e Justiça de enfraquecê-lo.
O impasse remonta a 2015, quando o Lei e Justiça tentou indicar juízes para vagas já preenchidas pelo governo anterior. Após assumir o poder em 2023, a coalizão de Tusk prometeu reformar a corte. Nawrocki, eleito presidente em 2025 e aliado do Lei e Justiça, tem atuado para barrar esses esforços.
No início deste ano, recusou-se a dar posse a três dos seis juízes indicados pelo Parlamento; Swieczkowski também se recusou a empossar juízes escolhidos pela atual maioria parlamentar.

