Pesquisadores identificaram com maior precisão o tipo de asteroide que atingiu a Terra há cerca de 66 milhões de anos e desencadeou a extinção em massa que eliminou os dinossauros não aviários. Publicado na revista científica Science Advances, o estudo conclui que o objeto pertencia a uma classe extremamente rara de meteoritos, conhecida como condrita carbonácea do tipo CO.
A descoberta foi feita por uma equipe internacional formada por cientistas do Canadá, França, Bélgica e Áustria. A identificação foi possível após a análise da composição química de sedimentos depositados no planeta logo após o impacto que originou a cratera de Chicxulub, na atual Península de Yucatán, no México.
Isótopos de níquel ajudaram a identificar a origem da rocha
Para determinar a composição do asteroide, os pesquisadores estudaram amostras da fina camada de argila encontrada em diferentes partes do mundo e associada ao evento de extinção do fim do período Cretáceo.
A investigação se concentrou nos isótopos de níquel presentes nesses sedimentos. Como cada grupo de meteoritos apresenta uma assinatura química própria, a comparação permitiu associar o material deixado pelo impacto às condritas carbonáceas da classe CO.
Embora os cientistas já soubessem que o objeto fazia parte do grupo das condritas carbonáceas, ainda não havia consenso sobre seu subtipo. A nova pesquisa reduziu essa incerteza ao apontar uma categoria que representa apenas uma pequena parcela dos meteoritos conhecidos.
Segundo os autores, essas rochas são consideradas materiais primitivos, formados nos primeiros estágios do Sistema Solar e preservados desde então.
Resultado pode mudar interpretação sobre os efeitos do impacto
Além de indicar a origem do asteroide, o estudo traz novos elementos para compreender as consequências da colisão.
Pesquisas anteriores atribuíram parte do colapso ambiental ao enxofre lançado na atmosfera durante o impacto, hipótese relacionada ao bloqueio da luz solar e às mudanças climáticas que se seguiram. No entanto, as condritas do tipo CO apresentam baixo teor desse elemento.
Com isso, os pesquisadores avaliam que a enorme quantidade de poeira e partículas finas lançadas para a atmosfera pode ter desempenhado um papel ainda mais importante no resfriamento global e na interrupção da fotossíntese, fatores considerados decisivos para a extinção em massa.
A equipe ressalta que o trabalho envolveu um alto grau de precisão, já que praticamente todo o asteroide foi vaporizado no momento da colisão. As conclusões foram obtidas a partir de vestígios microscópicos preservados na camada geológica formada após o impacto.
Para os cientistas, a pesquisa contribui para compreender não apenas a origem do corpo celeste que atingiu a Terra, mas também os processos que levaram a uma das maiores extinções da história do planeta.
[ad_2]
