Buracos negros supermassivos podem exercer um papel duplo na evolução das galáxias. Além de aquecer o gás interestelar e dificultar a formação de estrelas, eles também lançam jatos e ventos capazes de criar condições favoráveis ao surgimento de novas estrelas em outras regiões.
A conclusão surgiu após a análise de nove galáxias próximas por astrônomos do Observatório Europeu do Sul, com o uso do Very Large Telescope. Os pesquisadores identificaram cones de radiação que avançam para além dos planos galácticos e estruturas de choque posicionadas perpendicularmente aos jatos emitidos pelos buracos negros.
Ao redor dessas frentes de choque, foram observados anéis e arcos associados ao nascimento de estrelas. As formações se estendem por áreas entre 2,6 mil e 19,6 mil anos-luz. A repetição do padrão nas nove galáxias analisadas sugere que o mecanismo pode ser universal.
Segundo Peixin Zhu, principal autor do estudo e astrônomo do Center for Astrophysics, os buracos negros não apenas acumulam matéria, mas também devolvem parte dela à galáxia. Os fluxos ejetados geram choques que alcançam regiões periféricas e podem estimular a formação estelar.
Observações independentes feitas com o telescópio de raios X Chandra ajudaram a confirmar o ciclo descrito pelos pesquisadores: o buraco negro acumula material, ejeta parte dele e produz impactos que interferem na evolução da galáxia.
Para Lisa Kewley, astrofísica do Center for Astrophysics, o fenômeno mostra que esses objetos remodelam ativamente seus arredores. O estudo foi publicado no The Astrophysical Journal.
