O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar a atuação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista aos jornalistas Eduardo Ribeiro e Mariana Godoy, da Record, na terça-feira (15.set.2026), Lula afirmou que o ministro divulgava informações de investigações relatadas por ele na Corte conforme seus interesses.
A declaração ocorreu após uma sessão plenária do STF realizada na mesma data para discutir a eventual abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, por sua relação com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
“[Que se] abra o sigilo de telefone de todo mundo. Aquilo que André Mendonça tinha guardado como segredo de Estado e só soltando aquilo que interessava para ele agora pode ser aberto para toda a sociedade também”, afirmou Lula.
O presidente já havia feito crítica semelhante durante um comício de sua campanha à reeleição, em Curitiba, no sábado (12.set). Na ocasião, sem citar Mendonça nominalmente, disse que o juiz relator não poderia divulgar “matérias pinçadas, somente daquilo que interessava a ele” e afirmou ter pedido a liberação de todo o processo.
Questionamentos sobre a sessão
Durante a entrevista, Lula questionou a participação de ministros na sessão e mencionou Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques, que não votaram. Toffoli declarou suspeição por motivo de foro íntimo. Nunes Marques informou estar impedido por ser presidente do Tribunal Superior Eleitoral e disse que, com a proximidade das eleições, “não se sente confortável em votar”.
Lula também afirmou que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, “tem a faca e o queijo na mão para saber quem fez o quê” na Corte. Segundo o presidente, os envolvidos devem ser investigados, julgados e punidos. Ele defendeu a apuração de todos os fatos “sem distinção” e declarou que a Suprema Corte não pode perder credibilidade perante a sociedade.
Decisão pode ficar para depois das eleições
A análise sobre a eventual investigação de Alexandre de Moraes foi adiada depois que o ministro Flávio Dino pediu vista, ou seja, mais tempo para examinar os autos. Pelo regimento do STF, o caso pode ser devolvido em até 90 dias, o que abre a possibilidade de a decisão ocorrer somente depois das eleições de outubro.
A sessão se estendeu durante todo o dia e teve discussões sobre procedimentos adotados por Mendonça. Gilmar Mendes propôs a análise de uma questão de ordem e defendeu que o caso de Moraes fosse julgado na semana seguinte, quando também seria analisado um pedido de suspeição contra Mendonça.
