O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 4ª feira (16.set.2026) que não teve relação com a indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Lula, ele não ocupava a Presidência da República em 2017, quando Moraes foi escolhido para integrar a Corte.
A declaração foi dada durante entrevista ao podcast Desce a Letra, gravada no Palácio da Alvorada. O presidente disse que existe uma estratégia da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) para associar ministros do STF ao governo federal.
Lula também afirmou que a oposição altera a narrativa sobre os acontecimentos e declarou que pretende trabalhar para apresentar sua versão aos eleitores.
“Eu não era presidente quando Alexandre de Moraes foi indicado para a Suprema Corte. Ele era senador, deve ter votado no Alexandre. Eu não era presidente quando indicaram o Kassio [Nunes Marques]. Ele deve ter votado. Ele é o culpado, e não eu”, declarou.
Apuração de eventuais desvios
Na entrevista, Lula afirmou que eventuais desvios devem ser investigados independentemente do cargo ocupado pelas pessoas envolvidas. O presidente disse que quem cometer erros deve ser julgado, citando a si próprio, Moraes e o ministro Edson Fachin.
“Todo mundo que cometeu erro em qualquer área deve ser julgado. Isso vale para mim, para o Moraes, para o [Edson] Fachin, para qualquer um de nós aqui”, disse.
Indicação ao Supremo
Alexandre de Moraes foi indicado ao STF em fevereiro de 2017 pelo então presidente Michel Temer (MDB). O nome recebeu 55 votos favoráveis e 13 contrários no plenário do Senado. Outros 13 senadores não votaram.
Naquele período, Lula estava em São Bernardo do Campo (SP), enquanto Flávio Bolsonaro exercia o mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro. Flávio foi eleito senador em 2018 e assumiu o cargo em 2019.
A campanha do PT pretende resgatar a trajetória de Moraes antes da chegada dele ao STF para afastá-lo da imagem de Lula. A estratégia inclui destacar a indicação feita por Temer e posições contrárias ao petista antes e depois da entrada do ministro na Corte. Em meio à crise envolvendo Moraes e o STF, a equipe presidencial busca reduzir a associação feita pela oposição entre o ministro e o governo.
