O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), alertou para ameaças ao processo eleitoral brasileiro e defendeu a atuação imparcial da Justiça Eleitoral. Em publicação no X, o magistrado destacou o papel histórico das urnas eletrônicas no combate a antigas práticas de fraude e afirmou que novos desafios surgiram com o avanço tecnológico.
Segundo Gilmar, ferramentas de inteligência artificial podem produzir vídeos, áudios e peças de propaganda capazes de enganar eleitores e desequilibrar disputas. O ministro citou um experimento divulgado pela Folha de S.Paulo, no qual pesquisadores criaram 15 propagandas eleitorais falsas com IA. Treze delas teriam passado pelos filtros da Meta, incluindo uma imagem falsa do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alterando a data do primeiro turno.
Outra peça mencionada no experimento convocava pessoas a “retomar Brasília, como fizemos em 8 de janeiro”. Gilmar também citou um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que apontaria risco crítico de interferência externa nas eleições.
Alerta sobre atuação do tribunal
Apesar das ameaças externas, o ministro afirmou que considera mais grave a possibilidade de politização da própria Justiça Eleitoral. Para ele, quem tentar engajar o tribunal em proselitismo partidário deve avaliar se reúne condições de permanecer na instituição.
Gilmar defendeu que partidos políticos e o Ministério Público Eleitoral fiscalizem essas situações e questionem a suspeição quando ela estiver configurada. Também afirmou que o TSE deve coibir práticas abusivas e preservar a vontade popular com uma atuação altiva, imparcial e apartidária.
O ministro acrescentou que o STF continuará atuando como instância de supervisão, intervindo quando necessário para preservar seus precedentes e a Constituição.
