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Safra rebaixa Klabin e reduz preço-alvo para R$ 20,60

O banco projeta valorização potencial de 14% com base na cotação considerada no relatório, mas vê recuperação lenta das margens e dos volumes.

Safra rebaixa Klabin e reduz preço-alvo para R$ 20,60

O Safra rebaixou de compra para neutra a recomendação para as units da Klabin (KLBN11) e cortou o preço-alvo dos papéis de R$ 21,40 para R$ 20,60 até o fim de 2027. O banco aponta perspectivas menos favoráveis para papel e embalagens, custos elevados por mais tempo e recuperação mais lenta das margens.

Com base na cotação de R$ 18,08 usada no relatório, o novo preço-alvo indica potencial de valorização de 14%. Incluindo dividendos, o retorno total estimado é de 21%.

Os analistas Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro avaliam que a melhora esperada nos preços da celulose e a desvalorização do real não compensam fundamentos mais fracos no mercado de papel, a normalização lenta dos custos e o aumento do custo de capital próprio.

O Safra mantém perspectiva construtiva para a celulose no curto prazo, apoiada pela recomposição de estoques na China, menor disponibilidade do produto e maior disciplina dos produtores. Para o kraftliner, usado na fabricação de embalagens, o banco vê espaço limitado para novos reajustes.

A demanda doméstica também pesa na avaliação. A projeção da Empapel de alta de 1,9% nos embarques em 2026 implica crescimento de 0,9% no segundo semestre, ante 3% na primeira metade do ano. Para o Safra, isso reduz a visibilidade de uma recuperação significativa dos volumes em 2027.

Custos e alavancagem

O custo-caixa consolidado da Klabin foi de R$ 3.483 por tonelada no terceiro trimestre de 2026. Nos nove primeiros meses do ano, o indicador ficou próximo do limite superior da faixa de projeções da companhia.

O Safra espera que as pressões persistam até o primeiro trimestre de 2027, com redução a partir do trimestre seguinte. A normalização completa dos custos ligados ao El Niño é projetada apenas para o primeiro trimestre de 2028. O banco também considera permanentes parte das pressões geopolíticas sobre insumos e logística, além de custos operacionais associados à dispersão das operações florestais.

A estimativa do Safra é de EBITDA de R$ 7,7 bilhões em 2027 e retorno médio do fluxo de caixa livre de cerca de 5% entre 2027 e 2029. A relação entre dívida líquida e EBITDA deve cair de 3,6 vezes em 2026 para 2,9 vezes em 2029. Ainda assim, o banco considera que a geração de caixa limitada e a desalavancagem gradual não tornam a relação risco-retorno suficientemente atrativa frente a outras empresas do setor.