A floração dos ipês transforma a paisagem de Fortaleza em setembro. Com flores amarelas, rosas, roxas ou brancas, as árvores se destacam em diferentes pontos da cidade, em contraste com o concreto e a estrutura urbana.
O fenômeno está ligado ao ciclo natural das espécies. Com a redução das chuvas e o avanço da estiagem, os ipês perdem parte das folhas e concentram energia na produção de flores. Segundo o professor fitotécnico Lamartine Oliveira, essa mudança faz parte da adaptação das árvores ao ciclo climático.
“Quando a chuva diminui e a estiagem avança, a árvore perde as folhas e concentra energia na floração”, explicou. O período costuma começar em setembro e pode seguir até o fim de novembro.
Funções além da paisagem
A perda das folhas antes da floração não significa necessariamente que a árvore esteja doente. A mudança ocorre quando há menor disponibilidade de água, e os recursos passam a ser direcionados para a reprodução.
Além do efeito visual, os ipês e outras árvores podem contribuir para a infiltração de água no solo, atenuar a poluição sonora e amenizar as temperaturas. As flores também fornecem néctar para a fauna urbana. Oliveira defende o plantio de ipês, mas ressalta que a arborização deve incluir outras espécies.
A canaúba, também conhecida como ipê-amarelo, foi escolhida como árvore símbolo de Fortaleza em 2021. De acordo com dados da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma), a cidade plantou 1.219 ipês entre janeiro de 2025 e agosto de 2026.
A floração dá destaque temporário às árvores, enquanto a arborização participa ao longo do ano do equilíbrio ambiental e do bem-estar da população urbana.
