O gás natural de Vaca Muerta poderá ser convertido em ureia para uso nas lavouras brasileiras. A argentina Pampa Energía iniciou tratativas com o governo do Brasil para que o país se torne um dos principais mercados da produção de sua nova fábrica, projetada para Bahía Blanca e avaliada em US$ 2,7 bilhões.
Marcelo Mindlin, presidente do conselho da companhia, esteve em Buenos Aires com Cleber Oliveira Soares, secretário-executivo do Ministério da Agricultura. Eles trataram das possibilidades de fornecimento ao mercado brasileiro.
Em 2025, o Brasil comprou do exterior 7,7 milhões de toneladas de ureia, ao custo aproximado de US$ 3,3 bilhões. Nigéria, Rússia, Omã e Catar foram os principais países fornecedores. Já a Argentina vendeu ao Brasil somente 2.752 toneladas, volume que representa uma parcela praticamente irrelevante.
Capacidade de 2,1 milhões de toneladas por ano
A unidade da Pampa poderá produzir 2,1 milhões de toneladas anuais, quantidade equivalente a cerca de 27% das importações brasileiras do produto no ano passado. A previsão é que a fabricação comece até o fim de 2029.
Esse volume não significa que toda a produção será exportada. A Argentina registra déficit estrutural anual de aproximadamente 1,3 milhão de toneladas de ureia e praticamente não exporta o produto atualmente. Essa situação consta dos documentos oficiais de aprovação do projeto no regime argentino de incentivo a grandes investimentos. Mesmo assim, a dimensão da fábrica pode permitir que o país deixe de ser um importador relevante e se torne fornecedor regional.
Para viabilizar a construção, a empresa está negociando financiamento de até US$ 1,6 bilhão. As possibilidades incluem uma estrutura conduzida pela IFC, braço do Banco Mundial voltado ao setor privado, e pelo BID Invest, além de um eventual empréstimo sindicalizado com bancos. O crédito poderá responder por cerca de 60% do investimento total.
A Pampa procura posicionar o Brasil entre os destinos comerciais centrais da unidade. A localização de Bahía Blanca, próxima ao mercado brasileiro, permitiria à companhia competir com fornecedores que estão a milhares de quilômetros das lavouras do país e abrir uma nova corrente de comércio agrícola entre Brasil e Argentina.
