O desemprego no Brasil caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho de 2026 e atingiu o menor percentual já registrado para períodos terminados nesse mês desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), em 2012.
Segundo os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país tinha aproximadamente 5,8 milhões de pessoas desocupadas no período.
O resultado representa uma queda de 0,5 ponto percentual em relação ao trimestre móvel de fevereiro a abril, quando a taxa estava em 5,8%. Na comparação com maio a julho de 2025, quando o indicador marcava 5,6%, o recuo foi de 0,3 ponto percentual.
Ao mesmo tempo, o Brasil alcançou um novo recorde de trabalhadores ocupados. Foram 103,3 milhões de pessoas trabalhando, maior contingente registrado pela pesquisa.
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Desemprego cai para 5,3% no trimestre encerrado em julho
A redução da taxa de desemprego ocorreu junto com uma diminuição expressiva no número de brasileiros procurando trabalho.
O contingente de desocupados caiu aproximadamente 8% em apenas um trimestre.
Em números absolutos, eram 6,3 milhões de pessoas desempregadas no trimestre encerrado em abril. Entre maio e julho, esse grupo diminuiu para 5,8 milhões.
Isso representa aproximadamente 503 mil pessoas a menos na situação de desemprego.
Na comparação anual, a redução também aparece.
No trimestre de maio a julho de 2025, cerca de 6,1 milhões de brasileiros estavam desempregados. Um ano depois, houve queda de 4,9%, equivalente a aproximadamente 299 mil pessoas.
Veja os principais indicadores:
| Indicador | Mai-jun-jul/2026 | Fev-mar-abr/2026 | Mai-jun-jul/2025 |
|---|---|---|---|
| Taxa de desemprego | 5,3% | 5,8% | 5,6% |
| Desocupados | 5,8 milhões | 6,3 milhões | 6,1 milhões |
| Taxa de subutilização | 13,0% | 13,8% | 14,1% |
| Rendimento médio | R$ 3.762 | R$ 3.786 | R$ 3.643 |
Os números mostram que a melhora não ficou restrita à comparação trimestral. Parte importante dos indicadores também apresentou resultado mais favorável em relação ao mesmo período do ano anterior.
Brasil chega a 103,3 milhões de pessoas trabalhando
O outro destaque da pesquisa é o número de brasileiros ocupados.
A população ocupada chegou a 103,3 milhões, novo recorde da série histórica da PNAD Contínua.
Na comparação com o trimestre encerrado em abril, houve crescimento de 1%, com aproximadamente 1 milhão de trabalhadores a mais.
Em um ano, o avanço foi de 0,9%, equivalente a cerca de 899 mil pessoas.
O chamado nível da ocupação, indicador que mostra a proporção de pessoas ocupadas dentro da população em idade de trabalhar, chegou a 58,9%.
No trimestre anterior, estava em 58,4%.
Força de trabalho também alcança recorde
O total de pessoas que estavam trabalhando ou procurando uma ocupação chegou a 109,2 milhões, maior quantidade registrada pela pesquisa.
A chamada força de trabalho cresceu aproximadamente 0,5% frente ao trimestre encerrado em abril, incorporando quase 499 mil pessoas.
Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, o crescimento foi de aproximadamente 600 mil pessoas.
Esse indicador é importante porque ajuda a interpretar a queda do desemprego.
Uma taxa menor pode ocorrer tanto pela criação de ocupações quanto pela saída de pessoas da força de trabalho. Nos dados atuais, porém, houve simultaneamente crescimento da ocupação e aumento da força de trabalho.
Emprego com carteira assinada bate novo recorde
O mercado formal também alcançou uma marca histórica.
O número de empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada, sem considerar trabalhadores domésticos, chegou a 39,4 milhões de pessoas.
É o maior contingente já registrado pela PNAD Contínua.
Apesar do recorde, o crescimento de 0,4% frente ao trimestre anterior foi considerado estatisticamente estável pelo IBGE. Na comparação anual, a variação também ficou dentro da estabilidade, em 0,8%.
O resultado indica que o mercado formal permaneceu em um patamar elevado, mas não foi o único responsável pelo aumento recente da ocupação.
Empregados sem carteira também aumentam
Enquanto o emprego com carteira permaneceu estatisticamente estável, houve avanço entre os empregados do setor privado sem carteira assinada.
Esse grupo chegou a 13,8 milhões de trabalhadores.
Na comparação com o trimestre encerrado em abril, o crescimento foi de 3,6%, equivalente a aproximadamente 477 mil pessoas.
Somando trabalhadores com e sem carteira, o setor privado alcançou 53,2 milhões de empregados, também um recorde da série histórica.
Informalidade ainda atinge 38,8 milhões de trabalhadores
Os números positivos do mercado de trabalho convivem com uma informalidade elevada.
A taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada, correspondendo a aproximadamente 38,8 milhões de trabalhadores.
No trimestre encerrado em abril, a taxa era de 37,2%, com cerca de 38,1 milhões de pessoas na informalidade.
Já entre maio e julho de 2025, o percentual havia sido de 37,8%, também equivalente a aproximadamente 38,8 milhões de trabalhadores.
A informalidade inclui diferentes situações, como empregados sem carteira, trabalhadores domésticos sem registro, empregadores sem CNPJ e parte dos trabalhadores por conta própria.
Portanto, o aumento da ocupação não significa necessariamente que todas as novas oportunidades criadas tenham vínculo formal.
Construção foi destaque na criação de ocupações
Entre os setores econômicos analisados pelo IBGE, a Construção foi o único a apresentar crescimento estatisticamente significativo da ocupação na comparação com o trimestre encerrado em abril.
O número de trabalhadores no setor avançou 5,1%, com aproximadamente 371 mil pessoas a mais trabalhando na atividade.
Os demais grupamentos não registraram variações significativas na comparação trimestral.
Na análise em relação ao mesmo período de 2025, três áreas apresentaram crescimento da ocupação:
- Construção: alta de 4,2%, com mais 308 mil pessoas;
- Transporte, armazenagem e correio: crescimento de 5,4%, com mais 321 mil;
- Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais: alta de 2,3%, com mais 438 mil trabalhadores.
Já os serviços domésticos tiveram redução de aproximadamente 229 mil pessoas em um ano.
Subutilização do trabalho cai para 13%
Outro indicador que apresentou melhora foi a taxa composta de subutilização da força de trabalho.
Ela recuou de 13,8% no trimestre terminado em abril para 13% no período encerrado em julho.
A população subutilizada foi estimada em 14,9 milhões de pessoas, redução de 5,2%, ou aproximadamente 819 mil trabalhadores, em apenas um trimestre.
Na comparação anual, a queda foi ainda maior: 7,7%, representando aproximadamente 1,2 milhão de pessoas.
A subutilização é um indicador mais amplo do mercado de trabalho do que a taxa tradicional de desemprego.
Ela considera, além dos desempregados, trabalhadores que gostariam de trabalhar mais horas e pessoas que fazem parte da chamada força de trabalho potencial.
Por isso, a queda desse indicador reforça o cenário de melhora apresentado pela PNAD Contínua.
Número de desalentados diminui para 2,3 milhões
Também houve redução entre os trabalhadores desalentados.
Esse grupo reúne pessoas que gostariam de trabalhar e estariam disponíveis, mas deixaram de procurar uma oportunidade por diferentes razões relacionadas ao mercado de trabalho.
O Brasil tinha aproximadamente 2,3 milhões de desalentados no trimestre encerrado em julho.
Na comparação com o trimestre anterior, houve queda de 9,7%, com aproximadamente 248 mil pessoas a menos nessa condição.
Em relação a um ano antes, o contingente recuou 14,1%, ou cerca de 380 mil pessoas.
Renda média do trabalhador fica em R$ 3.762

Apesar dos recordes relacionados à ocupação, o rendimento apresentou estabilidade na comparação trimestral.
O rendimento real habitual de todos os trabalhos foi estimado em R$ 3.762.
Em relação ao trimestre encerrado em abril, quando estava em R$ 3.786, a variação foi de -0,7%, considerada estatisticamente estável pelo IBGE.
Na comparação com o mesmo período de 2025, entretanto, houve aumento real de 3,3%. Naquele momento, o rendimento médio era de R$ 3.643.
Os valores são reais, ou seja, já consideram os efeitos da inflação.
Massa de rendimentos alcança R$ 383,5 bilhões
Se o rendimento médio ficou praticamente estável no trimestre, a quantidade de pessoas trabalhando ajudou a levar a massa de rendimentos a um novo recorde.
O total mensal de renda habitualmente recebida pelos trabalhadores chegou a R$ 383,5 bilhões, maior valor da série histórica.
Na comparação trimestral, a variação de 0,2% foi considerada estável. Já frente ao mesmo período de 2025, houve crescimento de 4,1%, representando aproximadamente R$ 15,1 bilhões adicionais.
A massa salarial é relevante para a economia porque representa o volume de dinheiro recebido pelo conjunto dos trabalhadores.
Um aumento desse indicador pode ajudar a sustentar o consumo das famílias, embora outros fatores, como inflação, juros e endividamento, também influenciem as decisões de compra.
O que significa uma taxa de desemprego de 5,3%
A taxa divulgada pelo IBGE não representa simplesmente o percentual de toda a população brasileira que está sem emprego.
Para ser considerada desempregada pelas regras da pesquisa, uma pessoa precisa estar sem trabalho, disponível para trabalhar e procurando efetivamente uma ocupação.
Quem não trabalha, mas também não está procurando emprego, normalmente é classificado fora da força de trabalho e não entra no cálculo da taxa de desemprego.
É o caso, por exemplo, de determinados estudantes que não trabalham nem procuram uma vaga, aposentados que não buscam ocupação ou outras pessoas que não participam naquele momento do mercado de trabalho.
Essa metodologia permite acompanhar de forma padronizada a evolução da força de trabalho brasileira.
Resultado combina desemprego menor e ocupação recorde
Os números do trimestre encerrado em julho mostram um mercado de trabalho com diversos indicadores em níveis historicamente favoráveis.
O desemprego de 5,3% foi o menor registrado para trimestres encerrados em julho desde o início da série, enquanto a população ocupada alcançou recorde de 103,3 milhões de pessoas.
O emprego privado com carteira assinada também renovou sua máxima, chegando a 39,4 milhões.
Ao mesmo tempo, os dados indicam desafios importantes. A informalidade ainda envolve 38,8 milhões de trabalhadores, e parte relevante do crescimento recente da ocupação ocorreu entre trabalhadores sem carteira assinada.
A renda média, por sua vez, permaneceu estável na comparação com o trimestre anterior, embora esteja 3,3% acima do nível registrado um ano antes.
O conjunto dos indicadores mostra, portanto, uma redução consistente do desemprego e uma expansão da quantidade de pessoas trabalhando, mas com diferenças importantes entre emprego formal, informalidade e evolução dos rendimentos.
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