A conta de luz de milhões de consumidores do Rio Grande do Sul pode ficar mais cara a partir de novembro de 2026. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) colocou em consulta pública uma proposta de Revisão Tarifária Periódica da CEEE-D que prevê efeito médio de 24,24% para consumidores de baixa tensão.
Esse grupo inclui residências, propriedades rurais e outros consumidores conectados à rede de baixa tensão. A distribuidora atende aproximadamente 2,03 milhões de unidades consumidoras no estado.
A alta, entretanto, ainda não está confirmada. Os percentuais apresentados pela agência são preliminares e poderão mudar após o período de consulta e a análise das contribuições recebidas.
Caso os valores propostos sejam mantidos, as novas tarifas estão previstas para entrar em vigor em 22 de novembro de 2026.
Leia mais:
Brasil entra em nova fase de desaceleração econômica, aponta cenário para o PIB
Quanto a conta de luz pode subir para os clientes da CEEE-D
A proposta apresentada pela ANEEL prevê impactos diferentes conforme o nível de tensão em que o consumidor é atendido.
Confira os percentuais médios atualmente em discussão:
| Grupo de consumidores | Efeito médio proposto |
|---|---|
| Baixa tensão | 24,24% |
| Alta tensão | 15,88% |
| Todos os consumidores | 22,31% |
Os dados constam da Consulta Pública nº 027/2026, aberta pela ANEEL para discutir a Revisão Tarifária Periódica da CEEE-D.
A baixa tensão concentra consumidores residenciais, rurais e outros clientes menores. Já a alta tensão reúne principalmente indústrias e grandes estabelecimentos comerciais.
Isso significa que, na proposta atual, justamente o grupo em que estão as residências apresenta o maior efeito médio.
Uma conta de R$ 200 passaria para R$ 248?
Não necessariamente.
Aplicar 24,24% diretamente sobre uma conta de R$ 200 resultaria matematicamente em R$ 248,48. Esse cálculo, porém, serve apenas como simulação simplificada para mostrar o tamanho do percentual.
A fatura de energia possui diferentes componentes, e o valor efetivamente pago por cada consumidor pode envolver tributos, bandeiras tarifárias, contribuição para iluminação pública, características de consumo e outros itens.
Portanto, uma revisão tarifária média de 24,24% na baixa tensão não significa que todas as contas individuais aumentarão exatamente 24,24%.
O percentual definitivo também ainda poderá ser alterado pela ANEEL.
Aumento de 24,24% ainda não está aprovado
Esse é o principal ponto para o consumidor compreender neste momento.
A ANEEL não aprovou um aumento definitivo de 24,24% para as residências atendidas pela CEEE-D.
A agência apenas abriu uma consulta para receber contribuições sobre os cálculos apresentados no processo de revisão tarifária.
Os processos tarifários somente são concluídos depois da deliberação da Diretoria da ANEEL e da publicação da respectiva resolução homologatória.
Portanto, os percentuais divulgados em agosto funcionam como referência inicial para a discussão.
Até a decisão final, os índices podem aumentar, diminuir ou sofrer outros ajustes decorrentes das análises técnicas e das contribuições apresentadas durante a consulta pública.
Por que a tarifa da CEEE-D pode subir tanto
Segundo a ANEEL, dois fatores estão entre os principais responsáveis pelos percentuais elevados apresentados para 2026.
Um deles é o aumento da base de remuneração da distribuidora.
O outro está relacionado à recomposição de parte de um diferimento tarifário realizado no processo de 2024, em razão dos efeitos dos eventos climáticos que atingiram o Rio Grande do Sul naquele ano.
O diferimento funciona, de maneira simplificada, como o adiamento da cobrança de determinados valores que poderiam pressionar a tarifa naquele momento.
Quando esses componentes são posteriormente recompostos, eles podem voltar a influenciar os cálculos tarifários.
Assim, parte da pressão observada na revisão de 2026 está ligada a valores e medidas associados ao período das enchentes e demais eventos climáticos extremos registrados no estado em 2024.
Revisão tarifária não é a mesma coisa que reajuste anual
Embora para o consumidor o resultado apareça principalmente no preço da energia, a Revisão Tarifária Periódica é diferente do Reajuste Tarifário Anual.
A própria ANEEL explica que a revisão é um processo mais amplo. Nela, são analisados fatores como o custo eficiente da atividade de distribuição, metas relacionadas à qualidade do serviço, perdas de energia e componentes utilizados no cálculo do chamado Fator X.
O reajuste anual, por outro lado, é um procedimento normalmente mais simples, utilizado nos anos em que não ocorre revisão periódica.
Nos dois processos também podem ser considerados custos relacionados à compra e transmissão de energia e encargos setoriais.
É por isso que a revisão não deve ser interpretada apenas como uma correção da tarifa pela inflação.
Novas tarifas podem começar em 22 de novembro
A previsão apresentada pela ANEEL é de que os índices resultantes do processo tarifário passem a valer a partir de 22 de novembro de 2026.
Isso não significa, entretanto, que todas as faturas emitidas exatamente nessa data apresentarão automaticamente o mesmo aumento.
O efeito para cada consumidor dependerá do ciclo de leitura e faturamento, da quantidade de energia consumida e dos componentes aplicáveis à respectiva unidade.
Além disso, a decisão final da agência ainda precisa ser tomada.
O consumidor que pretende reorganizar o orçamento doméstico pode utilizar o índice de 24,24% apenas como uma referência conservadora enquanto aguarda a definição oficial.
Consulta pública vai até 9 de outubro
A Consulta Pública nº 027/2026 recebe contribuições entre 26 de agosto e 9 de outubro de 2026.
A ANEEL dividiu o processo em três temas: revisão tarifária, estrutura tarifária e perdas técnicas. As manifestações podem ser encaminhadas pelos canais disponibilizados pela agência para cada assunto.
Além da consulta documental, está prevista uma audiência pública em Porto Alegre no dia 8 de outubro de 2026.
A audiência permitirá que consumidores, entidades, representantes da distribuidora e demais interessados discutam os números apresentados.
Somente depois dessa fase a ANEEL poderá consolidar as contribuições e deliberar sobre os percentuais definitivos.
Quem pode ser afetado pela revisão da CEEE-D

A CEEE-D atua em uma extensa área do Rio Grande do Sul, incluindo municípios das regiões Metropolitana, Centro-Sul, Campanha, Litoral Norte e Sul.
Historicamente, sua concessão abrange 72 municípios gaúchos. A distribuição é atualmente administrada pelo Grupo Equatorial Energia.
Segundo a ANEEL, a concessionária atende hoje aproximadamente 2,03 milhões de unidades consumidoras.
Assim, uma eventual aprovação de índices próximos aos apresentados na consulta terá alcance significativo no estado.
Bandeira tarifária é uma cobrança diferente
O consumidor também deve evitar confundir a revisão da CEEE-D com as bandeiras tarifárias.
A revisão altera as tarifas utilizadas pela distribuidora dentro do processo regulatório periódico.
Já o sistema de bandeiras indica, mês a mês, as condições de geração de energia no país. Dependendo da bandeira definida, pode haver cobrança adicional sobre o consumo.
Isso significa que os dois efeitos podem coexistir.
Mesmo depois da definição da nova tarifa da CEEE-D, o valor final da conta continuará sujeito à bandeira tarifária vigente em cada mês e aos demais componentes da fatura.
Como se preparar caso o aumento seja confirmado
Ainda é cedo para saber exatamente quanto cada residência pagará a partir de novembro, mas o consumidor pode acompanhar o próprio histórico de consumo para estimar o possível impacto no orçamento.
Quem consome aproximadamente a mesma quantidade de energia todos os meses consegue comparar as últimas faturas e identificar quanto uma elevação tarifária teria de peso nas despesas domésticas.
Também é importante observar hábitos que aumentam significativamente o consumo, especialmente o uso prolongado de chuveiro elétrico, ar-condicionado, aquecedores, secadoras e outros aparelhos de maior potência.
Reduzir desperdícios pode ajudar a amenizar parte do impacto de uma eventual alta, embora não elimine o efeito da mudança tarifária.
Percentual final só será conhecido após decisão da ANEEL
Até o momento, portanto, o consumidor atendido pela CEEE-D deve considerar os 24,24% como uma proposta, e não como um reajuste já garantido para novembro.
A consulta pública continua aberta até 9 de outubro e a audiência em Porto Alegre está marcada para 8 de outubro. Depois, as contribuições serão analisadas pela agência.
Se os cálculos atuais forem mantidos, a baixa tensão terá efeito médio de 24,24%, a alta tensão ficará em 15,88% e o impacto médio para todos os consumidores será de 22,31%.
A previsão é que os índices definitivos comecem a valer em 22 de novembro de 2026, após a conclusão do processo regulatório.
Até lá, o mais importante para os consumidores é acompanhar a decisão final da ANEEL antes de considerar os 24,24% como aumento efetivo da conta de luz.
Conteúdo publicado originalmente em Seu Crédito Digital. Reprodução parcial ou total proibida sem autorização expressa.
