O pedido de Jair Bolsonaro para receber os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) pode estar ligado a uma tentativa de unir a oposição na disputa pela presidência do Senado. Os dois parlamentares buscam viabilizar candidaturas contra o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
A possibilidade de conversas entre Bolsonaro e os senadores foi apontada pelo repórter Daniel Gullino durante o programa VEJA em Foco. Segundo ele, candidaturas concorrentes podem dividir os votos da oposição e favorecer Alcolumbre. A defesa do ex-presidente, porém, não apresentou a eleição como justificativa para os pedidos de visita.
Bolsonaro está em prisão domiciliar e precisa de autorização do Supremo Tribunal Federal, especificamente do ministro Alexandre de Moraes, para receber visitantes. Depois de um período em que os encontros estavam restritos a familiares, médicos e advogados, a defesa voltou a solicitar visitas de políticos. O pedido mais recente inclui apenas Marinho e Tereza Cristina.
Articulações na oposição
De acordo com Gullino, Marinho é o nome mais diretamente associado à oposição. O senador foi lançado pelo PL e também conta com o apoio do Novo. Tereza Cristina, por sua vez, tenta construir uma candidatura independente da posição do PP, que já manifestou apoio a Alcolumbre.
A estratégia da senadora, segundo o repórter, é buscar votos entre apoiadores de Marinho e parlamentares que poderiam apoiar o atual presidente do Senado. Aliados de Marinho, conforme Gullino relatou, apontam para a possibilidade de os dois grupos apoiarem um único nome na etapa decisiva.
Na avaliação do jornalista, as visitas poderiam ajudar a antecipar a definição de um candidato de consenso. Ele afirmou que a disputa com mais de um nome da oposição poderia dispersar votos e ampliar as chances de Alcolumbre reunir apoio para permanecer no comando da Casa. A eventual articulação, contudo, é apresentada como uma hipótese, não como uma decisão já tomada.

