Reduzir a temperatura do corpo antes de deitar pode facilitar a chegada do sono profundo, segundo o especialista em longevidade Marcos Vázquez. O mecanismo funciona como um sinal biológico que avisa o cérebro de que é hora de desacelerar o organismo para o descanso.
Médicos recomendam entre oito e nove horas de sono por noite para adultos manterem as funções físicas e mentais em dia. Vázquez destaca que alcançar essa meta depende, em parte, de fatores ambientais simples, como a temperatura do quarto.
O que acontece dentro do corpo antes de dormir
Pouco antes do sono profundo, o organismo redistribui o calor interno: os órgãos vitais liberam temperatura em direção à pele e às extremidades do corpo. Esse deslocamento reduz os batimentos cardíacos, estabiliza a pressão arterial e prepara o corpo para as fases mais profundas do descanso.
Um banho quente ou uma sessão de sauna cerca de uma hora antes de dormir pode ajudar a acionar esse processo.
Saindo do ambiente aquecido, o corpo acelera a perda de calor para o ambiente, o que intensifica a sonolência logo em seguida.
Cobertores pesados e quartos abafados atrapalham esse mecanismo, já que impedem a troca de calor entre o corpo e o ar. Manter o ambiente ventilado e em temperatura amena durante toda a madrugada permite que o organismo complete sua curva de resfriamento até a manhã seguinte.
Por que o corpo reage assim ao frio
Segundo Vázquez, essa resposta térmica tem raízes evolutivas antigas. No período pré-histórico, a chegada da noite na savana africana vinha sempre acompanhada de dois sinais: escuridão total e queda rápida na temperatura do ar. O cérebro humano ainda opera com esse padrão herdado da pré-história.
Diante de um ambiente mais frio, ele interpreta a mudança como um comando para reduzir o metabolismo e iniciar o repouso, mesmo em um quarto moderno com ar-condicionado.
Ambientes quentes ou muito iluminados, por outro lado, tendem a interferir nesse gatilho natural.
Fadiga crônica e falta de concentração ao longo do dia aparecem, com frequência, associadas a esse tipo de condição de sono inadequada.
Outros hábitos que reforçam a qualidade do sono
Manter horários fixos para dormir e acordar, inclusive aos fins de semana e em períodos de férias, é uma prática recomendada pela medicina do sono.
A regularidade evita a desregulação do relógio biológico e favorece a liberação hormonal ao longo do dia.
Evitar o uso de celular, televisão e computador na última hora antes de dormir também consta entre as recomendações mais frequentes. A luz azul emitida por essas telas bloqueia a produção de melatonina na glândula pineal, hormônio que sinaliza ao corpo a chegada do sono.
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