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Tarifas dos EUA e terras-raras dominam debate no Senado

Em audiência da CMA, participantes discutiram as tarifas norte-americanas e os caminhos para desenvolver a cadeia de terras-raras no Brasil, com proteção ambiental.

Tarifas dos EUA e terras-raras dominam debate no Senado

O impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre a soberania brasileira e os riscos e oportunidades da exploração de terras-raras foram discutidos em audiência pública da Comissão de Meio Ambiente do Senado (CMA), realizada nesta quinta-feira (22).

Participantes apontaram que a política comercial norte-americana tem objetivos econômicos e políticos. Também defenderam que o Brasil transforme seus recursos minerais em capacidade industrial, com atenção aos efeitos ambientais e sociais.

Tarifas e soberania

A senadora Leany Lemos (PSB-DF), que presidiu a reunião, afirmou que, sob o governo de Donald Trump, os EUA passaram a tratar o comércio como “arma para atingir os seus interesses”. Ela criticou a forma como o país trata o Brasil e disse que a discussão envolve o direito de decidir o destino das riquezas nacionais. A audiência foi solicitada por meio do requerimento REQ 20/2026 – CMA.

Desde março de 2025, os Estados Unidos anunciam tarifas para produtos e serviços estrangeiros. Atualmente, 47,3% das exportações brasileiras para o país estão sujeitas a taxas extras de até 37,5%. O governo brasileiro estima o valor desses produtos em US$ 19,1 bilhões. Em julho de 2025, algumas tarifas específicas chegaram a 50%.

O pesquisador do Ipea Renato Baumann afirmou que o objetivo das medidas é levar os países afetados a negociações que resultem em mais investimentos nos EUA. Ele observou, porém, que o Brasil tem déficit comercial com os norte-americanos desde 2008 e classificou a estratégia como eleitoral, ideológica e comportamental.

Minerais e riscos ambientais

A cientista política Luíza Gimenez Cerioli citou lítio, cobre, níquel, grafite, cobalto e terras-raras como minerais importantes para as transições digital, energética e de defesa e espaço. O Brasil tem a segunda maior reserva mundial de terras-raras, atrás da China. Esses materiais são usados, por exemplo, em componentes de data centers e drones militares.

O professor da USP Fernando Landgraf defendeu a possibilidade de o país fabricar ímãs, em vez de vender apenas o material bruto. Ele estimou que o mercado pode levar cerca de 10 anos para dar lucro e afirmou que são necessárias políticas nacionais e investimentos estrangeiros.

Cerioli alertou que o processamento demanda muita energia e água, pode ser poluente e gerar conflitos sociais e econômicos. Ela defendeu parcerias sólidas, salvaguardas ambientais e atenção ao mercado interno.

André Rodolfo de Lima, representante do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, contestou a justificativa dos EUA para uma tarifa de 25% sobre exportações brasileiras após julho de 2026. Segundo ele, entre 2022 e 2026, o desmatamento observado na Amazônia caiu 75,4%, resultado associado à adesão de 80 municípios a um programa da União implementado no âmbito do Fundo Amazônia.