O prefeito reeleito de Santa Quitéria, José Braga Barroso (PSB), conhecido como Braguinha, foi transformado em réu pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) após a aceitação de denúncia apresentada pelo Ministério Público Eleitoral (MP Eleitoral) nesta terça-feira (8). Além dele, outras sete pessoas também passaram a responder à ação penal instaurada.
A decisão foi tomada durante sessão conduzida pelo desembargador eleitoral Luciano Maia, que acolheu a acusação de que Braguinha recebeu apoio do Comando Vermelho (CV) durante as eleições municipais de 2024. As informações são do Diário do Nordeste.
Decisão do TRE e Medidas Contra o Prefeito
Por maioria, o colegiado do TRE-CE ratificou a decisão anterior da presidência do órgão, que determinou o afastamento de Braguinha e do vice-prefeito, Gardel Padeiro (PP). A medida deve permanecer válida até nova deliberação do Plenário da Corte.
Além disso, o tribunal validou o pedido de revogação da prisão domiciliar concedida ao prefeito em 18 de março. Na ocasião, a defesa havia apresentado um relatório médico alegando necessidade de tratamento contínuo.
Prisão e Assunção Interina
Braguinha foi preso no dia 1º de janeiro deste ano, momentos antes de sua posse. Com isso, o vereador Joel Barroso (PSB) , filho do prefeito, assumiu interinamente o cargo de chefe do executivo municipal.
Acusações Apontam Ligação com Facção Criminosa
De acordo com o TRE-CE, as investigações apontam que Braguinha recebeu apoio do Comando Vermelho durante a campanha eleitoral. Entre os crimes investigados estão:
- Ameaças diretas a eleitores;
- Pichações ameaçadoras;
- Cancelamento de comícios e eventos de campanha;
- Expulsão de opositores políticos;
- Represálias violentas contra quem não apoiava os candidatos do grupo.
A investigação revela ainda que servidores da prefeitura entregaram um veículo de luxo ao traficante Anastácio Paiva Pereira, conhecido como Doze ou Paizão, apontado como chefe do CV na região. À época, o prefeito negou envolvimento direto, afirmando desconhecer os fatos e exonerando os servidores envolvidos em 20 de dezembro.
Posição da Defesa de Braguinha
Na sessão, os advogados de Braguinha negaram qualquer ligação com o crime organizado e destacaram que a fase processual atual é apenas o início das investigações. Segundo Fernandes Neto, integrante da defesa, “o momento oportuno para demonstrar a improcedência da denúncia será na fase de instrução processual”.

