Pesquisas recentes analisam os efeitos do consumo diário do café no cérebro, no sono, na saúde mental e até na expectativa de vida

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O café faz parte da rotina de milhões de pessoas e ocupa um espaço quase obrigatório nas manhãs de muitos brasileiros. Seja em casa, no trabalho ou depois do almoço, a bebida continua entre as mais consumidas do mundo e costuma dividir opiniões quando o assunto é saúde.

Ao longo dos anos, o consumo frequente de café virou tema de vários debates. Enquanto algumas pessoas acreditam que a bebida pode prejudicar o organismo, outras defendem que ela traz benefícios importantes quando ingerida com equilíbrio. Nos últimos anos, estudos passaram a investigar com mais profundidade como a cafeína age no corpo e no cérebro.

Estudos apontam possíveis benefícios do consumo moderado

Pesquisas recentes indicam que o café não precisa ser eliminado da rotina da maioria das pessoas saudáveis. Em alguns casos, o consumo moderado pode até estar associado a efeitos positivos no organismo.

Um estudo feito nos Estados Unidos com mais de 40 mil adultos observou que pessoas que consumiam café regularmente apresentavam maior chance de viver mais em comparação com quem não tinha o hábito de ingerir a bebida.

Os pesquisadores também identificaram um detalhe importante relacionado ao horário do consumo. Segundo os dados analisados, quem costumava beber café principalmente pela manhã apresentou índices menores de mortalidade ao longo do acompanhamento.

Os resultados reforçam a ideia de que não é apenas a quantidade que importa, mas também o momento em que a cafeína é consumida.

Além disso, outras pesquisas recentes também passaram a relacionar o café a possíveis benefícios ligados ao humor e à saúde mental.

Cafeína pode provocar alterações temporárias no cérebro

Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Basileia, na Suíça, chamou atenção ao analisar o impacto da cafeína na estrutura cerebral.

Os cientistas acompanharam 20 adultos saudáveis acostumados a consumir café diariamente. Durante dez dias, os participantes ingeriram cápsulas com cafeína equivalente ao consumo diário da bebida. Depois, passaram pelo mesmo período utilizando placebo, sem cafeína.

Ao final de cada etapa, os pesquisadores realizaram exames cerebrais por ressonância magnética funcional.

O que os pesquisadores observaram

Os resultados mostraram alterações temporárias no volume da chamada massa cinzenta, região ligada ao processamento de informações e funções importantes do cérebro.

As mudanças apareceram principalmente em áreas relacionadas à memória, como:

  • Hipocampo
  • Giro fusiforme
  • Região para-hipocampal
  • Lobo temporal medial direito

Segundo os autores do estudo, isso não significa necessariamente que o café cause danos cerebrais. Os próprios pesquisadores destacaram que as alterações observadas parecem reversíveis.

Após dez dias sem cafeína, parte significativa da massa cinzenta voltou a apresentar recuperação.

Qualidade do sono não foi alterada em parte dos participantes

Um dos pontos que mais chamou atenção na pesquisa suíça envolveu o sono. Apesar da fama de que o café atrapalha o descanso, os cientistas não identificaram mudanças importantes na profundidade do sono dos participantes analisados.

Os pesquisadores avaliaram a chamada atividade de ondas lentas, associada ao sono profundo, e perceberam que ela permaneceu semelhante tanto no período com cafeína quanto durante o uso do placebo.

O resultado surpreendeu parte da equipe científica porque muitas pessoas relatam dificuldade para dormir após consumir café.

Mesmo assim, especialistas lembram que a reação à cafeína varia bastante entre os indivíduos. Algumas pessoas apresentam maior sensibilidade ao estimulante, enquanto outras conseguem consumir a bebida sem perceber alterações importantes no sono.

Horário e quantidade fazem diferença no impacto da bebida

Embora os estudos tragam resultados considerados positivos em vários aspectos, especialistas reforçam que exageros continuam sendo um problema.

O excesso de cafeína pode provocar sintomas como:

  • Ansiedade
  • Agitação
  • Tremores
  • Taquicardia
  • Irritabilidade
  • Dificuldade para dormir

Outro detalhe importante é que a cafeína não está presente apenas no café. Refrigerantes à base de cola, energéticos, chás estimulantes e alguns suplementos também contêm a substância.

Por isso, médicos e pesquisadores costumam recomendar atenção ao consumo total diário, principalmente entre pessoas mais sensíveis à cafeína.

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