A saúde mental é um tema de extrema importância e complexidade, que afeta homens e mulheres de maneiras distintas. Estudos científicos revelam que a depressão e o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) são mais comuns em mulheres do que em homens. Essa diferença pode ser atribuída a uma combinação de fatores hormonais e pressões sociais que recaem mais sobre o público feminino.
O Projeto Elas e a Série “Nenhuma a Menos”
O Diário do Nordeste inicia a quarta edição do especial jornalístico “Nenhuma a Menos”, uma série de 10 reportagens que integra o “Projeto Elas”. O objetivo é discutir atitudes, costumes, tradições, aspectos biológicos e comportamentos que impactam na saúde mental de meninas e mulheres. A série visa debater formas de buscar o bem-estar feminino, entendendo que essa é uma demanda coletiva de toda a sociedade, e que atravessa questões que vão além de doenças, envolvendo educação, cultura, política e economia.
Internações Hospitalares por Transtornos Mentais
Em casos mais extremos, pessoas diagnosticadas com problemas de saúde mental precisam de internação hospitalar. Entre janeiro e agosto de 2024, ocorreram mais de 171,5 mil internações em todo o Brasil devido a transtornos mentais e comportamentais, de acordo com dados do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), do Ministério da Saúde. Quando se trata de transtornos de humor, como depressão, com ou sem ansiedade associada, a maior parte das pessoas internadas são mulheres, representando 65% do total1.
Fatores Contribuintes para a Maior Prevalência em Mulheres
Os fatores que contribuem para a maior prevalência de problemas de saúde mental em mulheres são multifatoriais. Aspectos hormonais, como as alterações ao longo do ciclo reprodutivo, e pressões sociais, como a cobrança para trabalhar fora e cuidar da casa e da família, geram uma sobrecarga significativa. Além disso, a ruminação — o pensar em excesso — é mais comum entre as mulheres, dificultando o desligamento dos problemas e aumentando a ansiedade e a depressão.
Impacto dos Ciclos da Vida Reprodutiva
A psicóloga Nara Barreto destaca o impacto dos ciclos da vida reprodutiva na saúde mental das mulheres, agravados por questões sociais e culturais. A maternidade compulsória, o suposto instinto materno e a ideia de perda de valor sexual após a menopausa são exemplos de pressões que afetam negativamente a saúde mental feminina.
Medidas de Prevenção e Cuidado
Reconhecer a necessidade de ajuda é o primeiro passo tanto para a prevenção quanto para o tratamento de transtornos mentais. Devido a tabus e estigmas, muitas mulheres demoram a procurar apoio profissional, o que dificulta a adesão a tratamentos quando necessário. O autoconhecimento e o autocuidado são fundamentais para a saúde mental. Praticar exercícios físicos, regular o estresse e manter uma alimentação adequada são pilares essenciais. Além disso, a socialização é crucial para evitar o isolamento, que pode aumentar a mortalidade.
A saúde mental das mulheres é uma questão multifacetada que exige uma abordagem coletiva e integrada. É fundamental que a sociedade como um todo se envolva na busca por soluções que promovam o bem-estar feminino, considerando os diversos fatores que impactam a saúde mental. Compartilhe suas experiências e opiniões nos comentários abaixo e ajude a ampliar essa discussão tão necessária.


