A composição do Senado que assumirá em fevereiro de 2027 poderá tornar mais difícil a aprovação de indicações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O PL terá 29 senadores, enquanto o PT contará com dez. Parlamentares de oposição e centro-direita poderão formar maioria contra nomes considerados próximos demais do governo, embora essas legendas não necessariamente votem em bloco.
A rejeição de Jorge Messias, em abril de 2026, é um sinal da resistência que Lula já enfrentou: o indicado recebeu 42 votos contrários e 34 favoráveis. Foi a primeira rejeição de um indicado ao STF em 132 anos, segundo o texto. Para ocupar uma cadeira no tribunal, Messias precisava de 41 votos.
Em 2023, Cristiano Zanin, advogado pessoal de Lula, obteve 58 votos favoráveis; Flávio Dino, então ministro da Justiça e aliado político do presidente, recebeu 47. A nova correlação de forças poderá dificultar futuras indicações de pessoas ligadas ao PT, ao governo ou a disputas políticas.
Juristas com produção acadêmica, magistrados de carreira e profissionais reconhecidos pela independência institucional poderão ganhar espaço nas negociações. A Constituição exige notável saber jurídico e reputação ilibada, mas o cumprimento desses requisitos não garante a aprovação. Lula poderá insistir em nomes próximos a seu grupo político ou buscar candidatos capazes de conquistar apoio além da base governista.

