Depois de uma década à frente de uma organização dedicada ao combate à poluição por plástico, Fleur Britten buscou uma rotina mais tranquila: durante um ano, sentou-se quase todos os dias sob o mesmo carvalho em Clevedon, perto de Bristol, na Inglaterra. A experiência começou no solstício de inverno de 2023 e acompanhou as mudanças das estações.
Britten havia se mudado para Clevedon em 2022. Naquele período, reduziu o trabalho para três dias por semana e escolheu o carvalho, em uma colina gramada, como refúgio. Entre os resultados do ativismo que liderou por dez anos estavam a proibição de talheres de plástico, embalagens de isopor para viagem e hastes flexíveis plásticas nos supermercados.
Os primeiros meses foram marcados por tempestades, ventos fortes e frio. Para se proteger, ela levava uma pele de carneiro dobrada e uma bolsa de água quente. Em cada sessão, observava o entorno por dez minutos e depois meditava de vinte a trinta minutos, de olhos fechados. Ao voltar para casa, registrava observações e escrevia poemas.
Na primavera, narcisos floresceram sob a árvore e depois murcharam. Em seguida, vieram os miosótis, os botões-de-ouro, o canto dos grilos e novos pássaros. Britten disse que a prática diária aguçou seus sentidos. Ao longo dos meses, as dores nas costas desapareceram, e ela percebeu que estava desacelerando no ritmo da natureza.
Durante o verão, em uma das sessões, abriu os olhos e viu um veado à sua frente. Um cachorro atravessou o caminho, e o animal correu. No solstício de inverno de 2024, um ano após o início do desafio, Britten levou o violão e cantou para agradecer à árvore. Ao fim da experiência, sentiu-se mais resiliente e aliviada por poder viajar e visitar a família.
Desde então, ela continua visitando o carvalho na maioria dos dias, mas não faz as sessões quando chove.
