Suspenso numa saliência rochosa a quase 300 metros acima de um vale arborizado, o Mosteiro de Sümela integra a lista indicativa da Unesco para reconhecimento como Patrimônio Mundial. O complexo fica nos Alpes Pônticos, no leste da Turquia, e reúne capelas, pátios, biblioteca, aposentos, campanário, aqueduto e uma nascente sagrada.
O local recebe visitantes atraídos pela arquitetura e pelos afrescos cristãos, além de fiéis. Em 2017, o mosteiro recebeu mais de 600 mil pessoas, tornando-se um dos destinos culturais mais procurados da região, conforme o relato fornecido.
Origens e abandono
Segundo a tradição, o mosteiro foi fundado em 386 d.C. pelos monges gregos Barnabé e Sofrônio, que procuravam um ícone da Virgem Maria com o Menino Jesus, atribuído ao apóstolo Lucas.
A pintura, chamada Panagia Soumela, teria sido encontrada numa caverna que se tornou ponto de peregrinação. A construção do complexo como é conhecido hoje ocorreu no século XIII.
Após a conquista otomana da região, em 1461, o mosteiro continuou funcionando como instituição ortodoxa grega. No início do século XX, os monges migraram para a Grécia. O abandono foi seguido por vandalismo, incêndios, negligência e saques; na década de 1970, o Ministério da Cultura e Turismo da Turquia iniciou ações de preservação.
Restauro e prática religiosa
Em 15 de agosto de 2010, o Arcebispo de Constantinopla celebrou o primeiro culto ortodoxo em Sümela em 88 anos. A cerimônia da Festa da Assunção da Virgem Maria ocorre anualmente desde então.
Hoje, o mosteiro é um museu estatal. Fiéis podem rezar nas capelas durante todo o ano, mas não há comunidade monástica permanente. Os afrescos, datados do século XVIII, seguem em restauração plurianual realizada no verão. A candidatura à lista da Unesco ainda é indicativa, não uma confirmação de inclusão como Patrimônio Mundial.

