O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), declarou-se suspeito nesta terça-feira (29) para julgar o caso que envolve Roberto Cláudio e Capitão Wagner e deixou a relatoria do processo. A restrição à propaganda dos candidatos, determinada por ele na véspera, continua em vigor até que outro ministro analise o caso.
Na segunda-feira (28), Floriano havia determinado a interrupção da propaganda de rádio e televisão da Federação União Progressista para o Senado e suspendido o recebimento e o uso de recursos públicos ainda não utilizados. A decisão é liminar e vale até o julgamento do Recurso Especial Eleitoral que discute a validade da convenção estadual da federação.
Ao explicar o afastamento, o ministro mencionou ter tomado conhecimento de um fato superveniente relacionado a um processo sigiloso em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o texto da decisão, embora os fatos não configurassem hipótese de impedimento, ele considerou inadequado continuar atuando no processo.
A justificativa se relaciona à atuação da filha do ministro, a advogada Laura de Azevedo Marques, na defesa do deputado federal Júnior Mano (PSB), em investigação sobre desvio de emendas parlamentares no STF. Júnior Mano é candidato a suplente de senador na chapa de Cid Gomes (PSB), que concorre com Wagner. A chapa de Wagner havia questionado a imparcialidade do ministro.
Na manhã de terça-feira, Wagner chamou a decisão anterior de “esdrúxula” e disse que havia dúvidas sobre o caso. À tarde, após saber do afastamento, afirmou que “a verdade está aparecendo” e disse ter mantido a calma e a serenidade.
Disputa sobre alianças no Ceará
O conflito começou em 26 de julho, quando União Brasil e Progressistas aprovaram, em convenções estaduais, apoio à candidatura de Elmano de Freitas (PT) ao governo do Ceará. No mesmo dia, a Federação União Progressista, formada pelos dois partidos, decidiu integrar a coligação que apoia Ciro Gomes (PSDB).
A federação indicou Roberto Cláudio (União Brasil) para vice-governador na chapa de Ciro e Capitão Wagner (União Brasil) para o Senado. A divergência entre as decisões dos partidos e a da federação levou à disputa judicial sobre qual deliberação deveria prevalecer.
