A vitória democrata nas eleições legislativas dos Estados Unidos, com a conquista da Câmara e do Senado a partir de janeiro de 2027, impõe limites ao governo de Donald Trump. O resultado, porém, não altera de imediato a situação de Eduardo e Flávio Bolsonaro no país nem interrompe o apoio do republicano a aliados no Brasil.
Flávio Bolsonaro tem mandato de senador até fevereiro e, conforme as informações apresentadas, não possui condenações no Brasil que motivem pedidos de extradição. Eduardo Bolsonaro tem Green Card, documento que concede residência permanente e legal nos Estados Unidos.
Analistas avaliam que a perda de força interna pode levar Trump a concentrar mais atenção na política externa e dar visibilidade a pautas da oposição brasileira. A afinidade pessoal e ideológica entre o ex-presidente americano e líderes da direita brasileira, segundo especialistas, permanece intacta.
O custo de vida, a alta nos preços dos combustíveis e os gastos públicos com conflitos no Oriente Médio, especificamente contra o Irã, são apontados como fatores do avanço democrata. O governo Trump não teria entregado a prosperidade econômica prometida, enquanto a insatisfação com a inflação e as despesas de guerra favoreceu a reação eleitoral da esquerda.
O movimento Maga sai enfraquecido, mas não deve desaparecer. A derrota antecipa a disputa pela liderança republicana para 2028, quando JD Vance terá de defender o legado do governo e construir uma liderança própria. A Constituição proíbe um terceiro mandato de Trump.
Para o governo Lula, a maioria democrata pode dificultar iniciativas parlamentares de retaliação econômica ou política contra o Brasil e abrir espaço para negociações bilaterais mais pragmáticas. Especialistas alertam, contudo, que o canal direto entre Trump e lideranças da direita brasileira continua ativo.

