Os democratas assumiram o controle do Senado e da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos após as eleições de terça-feira, impondo uma derrota ao Partido Republicano. A nova maioria poderá bloquear projetos, dificultar nomeações e impulsionar investigações sobre o governo de Donald Trump nos dois últimos anos de seu mandato.
O avanço ocorreu em estados tradicionalmente republicanos. O descontentamento com o custo de vida, as tarifas e a guerra contra o Irã — que elevou os preços dos combustíveis — esteve entre os fatores associados à rejeição à gestão do presidente.
Trump disse ao The New York Times que estava “absolutamente disposto” a aceitar o resultado e elogiou o desempenho dos democratas em entrevista à Fox News. Também afirmou que não via a derrota como um ataque pessoal e reconheceu que a guerra contra o Irã contribuiu para o revés, embora tenha defendido a campanha militar.
No Senado, as vitórias no Kansas e em Iowa consolidaram a maioria democrata. No Maine, o ex-lenhador Troy Jackson derrotou a senadora republicana Susan Collins e conquistou para o partido a sétima cadeira na Câmara alta. No Kansas, Adam Hamilton se tornou o primeiro democrata eleito senador pelo estado desde 1932.
Na Câmara, os democratas avançaram em estados como Pensilvânia, Kentucky, Arizona, Carolina do Norte e Nova Jersey. Em Indiana, JD Ford derrotou a deputada republicana Victoria Spartz em um distrito que Trump havia vencido por 17 pontos em 2024.
A maioria também permitirá que os democratas controlem a agenda legislativa e investiguem temas como a guerra contra o Irã, a aplicação das leis migratórias e acusações de corrupção contra integrantes do governo. Robert Garcia, que assumirá o Comitê de Supervisão da Câmara, escreveu nas redes sociais: “Contratem advogados”.
Trump voltou a questionar o resultado nas redes sociais, dizendo que os republicanos teriam vencido “de goleada” se ele fosse candidato. O presidente também reiterou a ameaça de vetar leis aprovadas pelo Congresso e publicou a foto de um boné com a palavra “VETO”.

