O governo do presidente Lula da Silva“>Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem enfrentado sucessivos desgastes em 2025. De acordo com o artigo publicado na Folha de S.Paulo em 21 de maio de 2025, por José Luiz Portella, a perda de apoio não se deve apenas à queda de popularidade, mas principalmente à perda de credibilidade política.
O autor destaca que o governo é atualmente conduzido por uma aliança entre o Centrão e setores do lulopetismo, afastando os grupos de centro e centro-esquerda que contribuíram para a vitória eleitoral sobre Jair Bolsonaro em 2022. O artigo aponta ainda que a condução atual do Executivo ignora compromissos assumidos durante a campanha.
Lula se aliou ao Centrão e deixou de lado setores do centro
Lula construiu sua campanha eleitoral com base na ideia de frente ampla e pacificação. Contudo, após a eleição, não incorporou representantes de setores que se opuseram a Bolsonaro fora da aliança tradicional PT-PSOL-PC do B. O presidente optou por alianças com figuras do Centrão, como Arthur Lira e Hugo Motta, ambos associados à base bolsonarista anterior.
Segundo Portella, a composição do governo demonstra que a promessa de reconstrução e união foi descumprida. A estratégia política atual também tem gerado reações adversas entre os setores originalmente aliados.
Perda de credibilidade ultrapassa questões econômicas
O texto ressalta que a crise de credibilidade do governo Lula não está relacionada diretamente com fatores econômicos, como o aumento dos alimentos, o Pix ou o IR. A percepção do autor é de que a ruptura entre discurso e prática tem afetado a imagem do presidente.
Exemplos como o apoio à exploração de petróleo na Margem Equatorial, em desacordo com setores ambientais do governo, e a condução da saída de ministras, são apontados como fatores que colidem com promessas de campanha.
Estratégia política atual diverge do que foi prometido
Portella afirma que Lula manteve uma postura agressiva contra adversários, similar à usada em campanhas anteriores. O lema “União e Reconstrução” teria sido deixado de lado, substituído por embates políticos contínuos e recorrentes.
A crítica também se estende à composição do Banco Central. Um ministro teria chamado a estratégia da instituição de “imbecilidade”, embora seus integrantes tenham sido indicados pelo próprio governo.
Benefícios fiscais concentram-se nos mais ricos
Outro ponto destacado é o volume de subsídios e isenções fiscais concedidos pelo governo em 2025. Segundo dados da Receita Federal, foram R$ 644 bilhões em isenções e R$ 400 bilhões em subsídios sem contrapartida. O texto sugere que os principais beneficiados são os setores de maior renda.
Essa distribuição de benefícios também vai contra o discurso de foco em políticas para os mais pobres, ponto central da campanha de Lula em 2022.
Discurso do governo no exterior contrasta com prática interna
Durante viagens internacionais, como à China, Lula firmou acordos de cooperação e defendeu posições alinhadas a líderes como Putin. Internamente, porém, mantém confronto constante com adversários políticos. O artigo menciona que, mesmo em eventos como o aniversário do PT, o discurso seguiu na linha do confronto.

