O presidente Lula da Silva“>Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou a Justiça Federal contra o ex-ministro e ex-candidato à Presidência da República, Ciro Gomes (PDT), após declarações nas redes sociais em que Ciro o acusa de envolvimento em crimes de corrupção e de beneficiar bancos por meio de programa de crédito para trabalhadores. A interpelação judicial foi protocolada pela Advocacia-Geral da União (AGU) neste sábado, 7 de junho, e tramita na 11ª Vara da Justiça Federal do Ceará.
Declarações de Ciro motivaram interpelação judicial
As acusações foram publicadas por Ciro em vídeos no YouTube e no Instagram. No conteúdo, o pedetista imputa ao presidente Lula práticas de peculato e corrupção passiva, alegando que ele teria cobrado propina para implementar o programa “Crédito do Trabalhador”.
Além disso, Ciro resgatou o escândalo do Mensalão, ocorrido em 2005 e que completa 20 anos em 2025, insinuando que Lula teria se beneficiado do esquema. A AGU argumenta que as falas atentam contra a honra do presidente da República.
Ação tramita na Justiça Federal do Ceará
O processo foi protocolado na 11ª Vara da Justiça Federal do Ceará. A AGU representou Lula formalmente na ação, solicitando que Ciro se manifeste sobre as declarações proferidas em seus canais digitais.
A Justiça concedeu prazo até o dia 2 de junho para que Ciro apresentasse resposta. No entanto, segundo os autos, ele não se manifestou no período estipulado, o que pode levar à conversão da interpelação em ação penal por calúnia.
Ciro se manifesta nas redes sociais
Em resposta, também no sábado (7), Ciro Gomes divulgou um novo vídeo em que reage às medidas judiciais tomadas contra ele. Segundo suas palavras, o processo representa um exemplo de “lawfare”, ou seja, o uso do sistema jurídico para fins de perseguição política.
“Nos últimos anos, eu tenho procurado suportar, em silêncio, um enorme lawfare. É a manipulação do Judiciário para perseguir quem os poderosos veem como inimigo”, afirmou Ciro.
Acusações contra Lula e o setor bancário
No mesmo vídeo de resposta, Ciro voltou a criticar Lula, acusando-o de atuar em favor do sistema financeiro e em detrimento da população de baixa renda. Segundo ele, a política de crédito consignado para trabalhadores do setor privado seria uma forma de beneficiar os bancos com os dados sociais da população.
“Lula não colocou o pobre no orçamento, colocou o pobre em leilão. O povo virou banco de dados para ser explorado por bancos agiotas, com a taxa de juros mais alta do mundo”, declarou.
Ainda segundo o pedetista, a escolha da interpelação judicial, em vez de um processo criminal direto, teve como objetivo impedir que ele apresentasse provas e invocasse a exceção da verdade, o que permitiria tentar comprovar suas alegações.
Possível ação penal em andamento
Como Ciro Gomes não respondeu no prazo estabelecido pela Justiça, a interpelação poderá ser convertida em processo criminal, o que poderá levá-lo a responder formalmente por calúnia, conforme os trâmites judiciais.
A controvérsia amplia o embate político entre dois dos nomes mais conhecidos da política nacional e reacende tensões históricas entre antigos adversários da corrida presidencial.
