Pular para o conteúdo
Nordeste7
Política

Leo Barreto alerta para risco da judicialização das eleições à democracia

O cientista político Leo Barreto afirmou que a judicialização das campanhas pode ampliar a instabilidade e reduzir o espaço para o debate de propostas.

Leo Barreto alerta para risco da judicialização das eleições à democracia

O cientista político Leo Barreto afirmou que a judicialização crescente das campanhas eleitorais pode comprometer o debate político e aumentar a instabilidade. “A democracia brasileira não vai aguentar muitas eleições realizadas dessa maneira”, disse em entrevista ao programa VEJA em Foco, apresentado por Raquel Novaes.

A conversa abordou decisões judiciais tomadas na reta final da campanha, entre elas uma resolução editada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal para coibir petições protocoladas em processos antigos com o objetivo de direcionar pedidos a determinados relatores. Também foram discutidas decisões sobre o uso de telões em comícios e a disputa judicial envolvendo a candidatura de Anthony Garotinho ao governo do Rio de Janeiro.

Barreto criticou a demora na definição de candidaturas. Na avaliação dele, o eleitor pode votar sem saber se o voto será posteriormente validado. “Você vai lá e digita o número dessa pessoa, confirma e vai para casa. E aí, depois da eleição, você descobre que aquele seu ato de boa-fé não vale mais nada, porque os votos daquela pessoa foram anulados”, afirmou.

O cientista político também comentou a apresentação de pedidos em processos antigos do Supremo, prática que, segundo a explicação dada no programa, poderia vincular novas demandas a ações já distribuídas e direcioná-las a um ministro. Barreto disse que a estratégia pode alimentar suspeitas sobre a imparcialidade, mas ressalvou: “Eu não estou dizendo que houve, mas é muito fácil pensar que houve.”

Para ele, uma eleição apertada e contestada poderia ampliar a desconfiança sobre decisões posteriores. Barreto classificou esse cenário como um “risco institucional de primeiríssima grandeza” e avaliou que parte da Justiça passou a funcionar como “um fator de instabilidade do processo político democrático”.

Na análise do cientista político, disputas nos tribunais também tiram espaço da discussão de propostas. “As campanhas talvez gastem mais com advogados do que com comunicação”, afirmou. Ele disse que, durante o período em que a crise envolvendo o STF dominou o debate, candidaturas e propostas deixaram de ser discutidas, e candidatos fora dos dois principais polos tiveram menos espaço para apresentar ideias.

Barreto defendeu que a eleição seja observada com cuidado e alertou contra a repetição desse modelo. “Não se discute ideia, se discute briga e quem tem mais capacidade de briga”, disse.