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Lasers atravessaram a floresta e revelaram sinais de uma sociedade que pode ter reunido milhões na Amazônia

Uma área da Amazônia que por muito tempo foi considerada ocupada apenas por pequenos grupos dispersos pode ter sustentado uma população muito maior do que se imaginava. Um estudo publicado na revista Nature identificou centenas de estruturas arqueológicas ocultas sob a floresta e estima que…

Visão aérea digitalizada com feixes de laser coloridos perfurando a copa da floresta amazônica para mapear ruínas antigas no solo.
Tecnologia de varredura a laser (LiDAR) possibilita a descoberta de antigas civilizações ocultas sob a densa vegetação da Amazônia.

Uma área da Amazônia que por muito tempo foi considerada ocupada apenas por pequenos grupos dispersos pode ter sustentado uma população muito maior do que se imaginava.

Um estudo publicado na revista Nature identificou centenas de estruturas arqueológicas ocultas sob a floresta e estima que entre 1,25 milhão e 3 milhões de pessoas viveram na região entre os anos 100 e 300 d.C.

A pesquisa utilizou tecnologia de sensoriamento remoto para mapear parte do sudoeste da Amazônia e encontrou novos indícios de uma ocupação organizada, formada por centros cerimoniais e grandes obras de engenharia em terra.

Tecnologia permitiu enxergar o solo sob a floresta

Os pesquisadores analisaram cerca de 183 mil quilômetros quadrados distribuídos entre Acre, Rondônia, Amazonas, além de áreas da Bolívia e do Peru. Para isso, recorreram ao LiDAR, sistema que dispara feixes de laser a partir de aeronaves e consegue registrar o relevo mesmo em regiões cobertas por vegetação densa.

Os voos revelaram 432 estruturas arqueológicas, das quais apenas uma pequena parcela era conhecida anteriormente. Entre elas estão geoglifos, aterros, caminhos e recintos monumentais que, segundo os autores, funcionavam como espaços de encontro, cerimônias e atividades coletivas.

Com base nos levantamentos e em imagens de satélite, os cientistas acreditam que essa parte da Amazônia pode esconder entre 24 mil e 30 mil estruturas semelhantes ainda não identificadas.

População pode ter sido muito maior do que indicavam estudos anteriores

Os dados reforçam a hipótese de que a floresta foi ocupada por uma sociedade complexa, capaz de modificar a paisagem durante séculos. Os pesquisadores associam boa parte das construções ao chamado povo Aquiry, que teria se estabelecido principalmente na região onde hoje fica o Acre.

As estimativas indicam que a população pode ter variado entre 1,25 milhão e 3 milhões de habitantes, número muito superior às projeções feitas em pesquisas anteriores. Em 2009, por exemplo, os cálculos foram elaborados com base em aproximadamente 200 obras de terra conhecidas. Com o avanço das técnicas de mapeamento, o volume de evidências aumentou significativamente.

Os autores destacam que as descobertas não significam que toda a área fosse densamente povoada, mas indicam uma rede de comunidades conectadas por estruturas monumentais e intervenções planejadas na paisagem.

O estudo também reforça a importância do uso de tecnologias como o LiDAR para ampliar o conhecimento sobre a ocupação pré-colonial da Amazônia, já que grande parte dos vestígios permanece escondida sob a cobertura vegetal e ainda não foi documentada.

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