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Mundo

Nasa estuda robôs esféricos para explorar cavernas em Titã, lua de Saturno

Projeto Spark avalia o uso de robôs esféricos e autônomos para investigar cavernas, túneis e fendas em Titã, lua de Saturno.

Nasa estuda robôs esféricos para explorar cavernas em Titã, lua de Saturno

A Nasa financia o desenvolvimento de pequenos robôs esféricos capazes de voar por cavernas, túneis e fendas de Titã, a maior lua de Saturno. O projeto, chamado Spark, pretende alcançar regiões subterrâneas que não poderiam ser investigadas por rovers tradicionais.

Titã tem uma paisagem que, em alguns aspectos, lembra a Terra. O satélite possui rios, lagos, mares e dunas sob uma atmosfera espessa. Cientistas acreditam que, abaixo da superfície, exista uma rede de cavidades e estruturas subterrâneas que ainda não foi explorada diretamente por nenhuma sonda.

Enxame de veículos aéreos

A proposta prevê o transporte dos robôs por uma nave até Titã. Depois, um enxame de veículos aéreos robóticos, chamados de aerobots, seria liberado para investigar diferentes pontos do terreno. A missão integra uma iniciativa com dez anos de estudos sobre exploração espacial subterrânea.

Os equipamentos não teriam rodas, hélices ou sistemas tradicionais de suspensão. Pequenos, leves e esféricos, eles seriam capazes de se deslocar por espaços estreitos e de difícil acesso. A propulsão usaria um sistema eletro-hidrodinâmico, também conhecido como propulsão iônica atmosférica.

Nessa tecnologia, a eletricidade movimenta o gás ao redor do veículo e gera o impulso para o deslocamento. Na Terra, o sistema enfrenta limitações por consumir muita energia e produzir uma força relativamente pequena. Em Titã, porém, a atmosfera mais densa e a gravidade consideravelmente menor podem permitir uma eficiência mais de 100 vezes superior à registrada em testes no planeta.

Investigação do subsolo

Metano e etano desempenham em Titã um papel semelhante ao da água no ciclo terrestre: formam nuvens, caem como chuva e se acumulam em lagos e mares. Processos envolvendo essas substâncias podem ter criado estruturas parecidas com cavernas em gelo e compostos orgânicos congelados.

As cavidades também poderiam proteger materiais contra radiação e variações extremas de temperatura. Os robôs analisariam imagens, o ambiente e materiais presentes nas paredes e nos depósitos internos.

O Spark ainda está em fase inicial. Durante nove meses, a equipe avaliará simulações, energia, navegação, comunicação e controle térmico. Componentes e lubrificantes terão de resistir a temperaturas extremamente baixas, enquanto a distância até Titã exigirá autonomia para identificar obstáculos e tomar decisões sem comandos constantes da Terra.