Animal da pré-história tem 600 milhões de anos e ainda vive nos mares do mundo inteiro

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Entre as formas de vida que habitam a Terra, poucas atravessaram tanto tempo quanto as esponjas-do-mar. Discretas e silenciosas, elas surgiram muito antes de dinossauros, aves ou mamíferos e seguem presentes nos oceanos de todo o planeta.

Estudos científicos indicam que esses organismos existem há mais de 600 milhões de anos, o que faz delas os animais mais antigos ainda vivos.

Apesar da aparência simples, as esponjas ocupam um lugar central na compreensão da origem da vida animal. Pesquisadores analisam sua estrutura, seus genes e sua forma de alimentação para entender como surgiram os primeiros organismos multicelulares.

Uma sobrevivente de eras remotas

As evidências fósseis apontam que as esponjas antecedem a chamada explosão cambriana, período marcado pela diversificação acelerada da vida marinha. Elas pertencem ao filo Porifera e se caracterizam pelo corpo poroso, fixado ao fundo do mar, sem órgãos complexos como cérebro ou sistema nervoso.

Em vez disso, apresentam uma rede de canais internos por onde a água circula continuamente. Esse fluxo permite a captação de oxigênio e de partículas de alimento, garantindo a sobrevivência do animal de forma eficiente e estável ao longo de milhões de anos.

Presença global nos mares

As esponjas-do-mar estão espalhadas por praticamente todos os oceanos. Podem ser encontradas em águas rasas, recifes, encostas rochosas e até em grandes profundidades. Cada ambiente favorece formas e cores diferentes, resultando em espécies que lembram barris, taças ou estruturas irregulares.

Mesmo sem se deslocar, uma única esponja é capaz de filtrar milhares de litros de água por dia. Esse processo contribui para a limpeza do ambiente marinho e influencia diretamente as cadeias alimentares locais.

Um elo na evolução dos animais

A simplicidade das esponjas desperta o interesse da biologia evolutiva. Embora não possuam órgãos definidos, elas apresentam células especializadas, cada uma com funções específicas. Esse arranjo ajuda os cientistas a entender a transição entre organismos unicelulares e formas de vida mais complexas.

Análises genéticas revelam que as esponjas compartilham genes ligados à comunicação celular e à formação de tecidos, presentes também em animais mais complexos. Marcas químicas encontradas em rochas antigas reforçam a hipótese de que organismos semelhantes já existiam nos mares primitivos.

Importância ecológica e científica

Além do valor evolutivo, as esponjas desempenham papel relevante nos ecossistemas marinhos. Elas oferecem abrigo a pequenos peixes e invertebrados e participam da reciclagem de nutrientes nos recifes. Algumas espécies produzem substâncias químicas estudadas pela ciência, com potencial uso farmacêutico.

Ameaças no mundo atual

Mesmo após sobreviverem a grandes transformações do planeta, as esponjas enfrentam riscos crescentes. Poluição, aquecimento dos oceanos e pesca de arrasto afetam diretamente suas populações. Em regiões profundas, a recuperação pode levar décadas.

As esponjas-do-mar funcionam como verdadeiros registros vivos da história da Terra. Ao mesmo tempo em que revelam o passado remoto da vida, também alertam para a fragilidade dos oceanos diante das mudanças provocadas pelo ser humano.

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