O Itaú BBA elevou de US$ 22 para US$ 27 o preço-alvo da ação da XP para o fim de 2027 e manteve a recomendação de compra. A revisão, porém, foi superada pela alta de 30% registrada pelo papel nesta segunda-feira, que chegou a US$ 28,15 em meio ao chamado trade eleitoral.
Na avaliação do banco, a XP tem o maior potencial entre as empresas do mercado de capitais para ampliar lucros e recuperar múltiplos. O Itaú afirma que a ação negocia com desconto em relação ao histórico da própria companhia e a concorrentes como BTG Pactual e B3.
A XP é negociada a 9,6 vezes o preço sobre o lucro (P/L) estimado para os próximos 12 meses, cerca de 9% abaixo da média histórica recente. Se o múltiplo avançar para aproximadamente 13 vezes — nível equivalente ao limite superior de um desvio-padrão acima dessa média —, a valorização potencial seria de cerca de 34%.
Varejo, renda fixa e eficiência
A tese do Itaú se apoia na retomada da atividade dos investidores de varejo, na melhora da monetização da renda fixa e na alavancagem operacional. Pessoas físicas mantêm cerca de 15,2% das carteiras em ações, ante quase 30% em 2020, enquanto o volume negociado está próximo da parte inferior da faixa histórica.
O cenário-base do banco para 2027 prevê volume médio diário negociado em ações de R$ 4,4 bilhões. Com alocação em ações de 17,3% e rotatividade de 112%, o volume poderia atingir cerca de R$ 5,6 bilhões, elevando a receita bruta da XP em 6%, sem mudança na taxa de monetização. Em uma hipótese mais otimista, com alocação de 19,3% e rotatividade de 138%, o volume chegaria a R$ 7,7 bilhões. Nesse caso, a receita bruta poderia crescer de 10% a 16%, conforme a monetização.
Na renda fixa, o banco pondera que a maior participação de ações reduziria o peso desses produtos nas carteiras. Uma monetização melhor poderia compensar o efeito, sobretudo se a queda dos juros estimular a migração de aplicações com liquidez diária para títulos corporativos de prazo mais longo.
Para a eficiência operacional, o cenário-base considera margem antes dos impostos de 30,7% em 2027. Se a receita ficar 9% acima do esperado e a eficiência melhorar 0,75 ponto percentual, o lucro antes dos impostos poderia subir mais de 11%.
Cenários para a ação
O preço-alvo de US$ 27 considera lucro estimado de R$ 6 bilhões em 2027 e P/L projetado de 12,2 vezes. Com o mesmo lucro e múltiplo de 13 vezes, o preço justo seria US$ 29, com potencial de alta de 35%. Num cenário intermediário mais otimista, lucro líquido de R$ 7,1 bilhões e P/L de 13 vezes levariam a ação a cerca de US$ 33, uma valorização de 53%.
Já no cenário negativo, o Itaú estima impacto limitado sobre os lucros, mas prevê que o múltiplo poderia cair para sete vezes. Nesse caso, o papel chegaria a aproximadamente US$ 15, uma queda potencial de 30%. A leitura do banco é que a XP pode ampliar os lucros e recuperar parte do múltiplo perdido, caso os mercados e o apetite dos investidores de varejo se recuperem.

