O forte avanço dos lucros das empresas que integram o S&P 500 aumentou a preocupação de investidores com uma possível “bolha de lucros”. Para o Goldman Sachs, porém, o cenário-base não é de colapso, mas de desaceleração do crescimento dos resultados nos próximos anos.
O banco estima que o índice possa alcançar 8.700 pontos, o que representaria um retorno de 14%, impulsionado pela expectativa de continuidade da expansão dos lucros. O lucro por ação (EPS) do S&P 500 cresceu 51% no segundo trimestre e 26% nos últimos 12 meses, ficando bem acima da tendência de longo prazo e da relação histórica com o crescimento econômico.
Segundo as estimativas do Goldman Sachs, o múltiplo de preço sobre o lucro (P/L) projetado do índice está em 19 vezes, próximo da média dos últimos dez anos. Já o múltiplo calculado sobre lucros ajustados pela tendência só teria sido maior, nas últimas décadas, durante o pico da bolha das empresas de internet, conhecida como Dot-Com.
Impacto da inteligência artificial
O banco projeta crescimento de 11% do EPS em 2027, para US$ 415, e em 2028, para US$ 460. As estimativas consideram um crescimento sólido do Produto Interno Bruto (PIB) e uma redução gradual do impulso gerado pelos investimentos em inteligência artificial (IA), que seria substituído pelo aumento da produtividade proporcionada pela própria tecnologia.
O boom de investimentos em IA respondeu por quase metade do crescimento dos lucros do S&P 500 neste ano. A contribuição deve passar de 11 pontos percentuais em 2026 para um impacto marginalmente negativo em 2028, conforme o avanço dos gastos de capital desacelere e as despesas de depreciação aumentem.
O Goldman também aponta riscos nos preços de energia, nas taxas de juros e nas margens da indústria de semicondutores. Em um cenário adverso, com a margem bruta do setor caindo de 70% para a média de 55% dos últimos 15 anos, os lucros do S&P 500 poderiam ser reduzidos em cerca de 10%.
Além disso, a valorização de participações acionárias teria elevado temporariamente os resultados. Grandes empresas de tecnologia geraram mais de US$ 150 bilhões em “outras receitas” ligadas a investimentos no segundo trimestre de 2026, aumentando os lucros do índice em 12%.
