Edson Fachin tentou conduzir uma sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre um relatório da Polícia Federal, mas terminou diante de cobranças dos colegas e de uma análise interrompida. O plenário não decidiu o que fazer com o documento, que revelava diálogos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
A sessão ocorreu em 15 de setembro. Flávio Dino cobrou de Fachin o exercício do poder de polícia na condução dos trabalhos. Pouco depois, pediu vista, interrompendo a análise antes de os ministros examinarem o mérito do relatório. Durante a sessão, também houve divergências sobre a autonomia dos ministros e a atuação do presidente do tribunal.
Nos dias anteriores, Fachin havia suspendido decisões conflitantes de André Mendonça e Dino sobre o afastamento de dois dirigentes da PF e convocado o plenário para tratar do impasse. Em seguida, determinou que procedimentos relacionados a possíveis investigações de ministros fossem encaminhados à Presidência. Também transferiu para a Presidência a relatoria da petição que examinava o relatório sobre Moraes, até então sob responsabilidade de Mendonça.
A mudança provocou contestação de Dino, que sustentou que o presidente não poderia retirar a relatoria de outro ministro. Fachin afirmou que Mendonça havia enviado os autos à Presidência. Para a cientista política Marjorie Corrêa Marona, convocar sessões e organizar a pauta são poderes tradicionais do cargo; transferir relatorias, porém, não é uma prerrogativa estabelecida, segundo ela.
Uma proposta de Gilmar Mendes para reunir dois processos e sortear novo relator terminou provisoriamente com quatro votos contrários à reunião e três favoráveis. Dino pediu vista, e seu voto não entrou no placar. O STF ainda terá de decidir se reúne os processos, quem será responsável por eles e o que fazer com o relatório da PF.
