O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira que o plano do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a Presidência atende à demanda do mercado por redução da dívida pública, mas não considera os possíveis impactos sobre a atividade econômica e o emprego.
Em entrevista à CNN Brasil, Durigan, que coordena o plano econômico para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse que agentes do mercado compram uma “ilusão vazia” sobre uma eventual gestão de Flávio. O ministro comparou o modelo econômico associado ao senador ao do presidente da Argentina, Javier Milei, e criticou o foco na dívida em detrimento do crescimento, do emprego, da balança comercial e de projetos estratégicos.
Durigan afirmou que um novo governo Lula se comprometeria a buscar superávits primários crescentes e poderia acelerar medidas de ajuste das contas públicas. Também disse que a gestão de Jair Bolsonaro não fez correções de rumo fiscal e atribuiu a alta da dívida pública ao nível elevado dos juros, e não aos resultados fiscais, que, segundo ele, foram estabilizados pelo governo Lula.
O ministro criticou ainda a possibilidade de retirar R$ 200 bilhões do Orçamento por meio de medidas de ajuste fiscal. Na avaliação dele, Flávio não explicou como faria isso e uma ação desse tipo poderia inviabilizar políticas públicas.
Uma reportagem da Folha de S.Paulo informou que a equipe do senador estuda mudanças na correção de benefícios da Previdência Social, do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e de gastos obrigatórios com saúde e educação, com objetivo de economizar R$ 250 bilhões. Após a publicação, Flávio e assessores negaram as medidas, embora tenham defendido um ajuste fiscal rigoroso.
Durigan também afirmou que a campanha de Flávio propõe mudanças na reforma tributária. O senador disse nesta quinta que o mecanismo de “split payment” pode causar uma “quebradeira generalizada” de empresas e que sua equipe estuda propor a retirada do sistema. Nesse modelo, os tributos sobre o consumo são transferidos ao governo no momento da transação, em vez de serem recolhidos posteriormente pelas empresas.

