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Documentos registram tramitação sigilosa do reajuste do Bolsa Família

Os documentos foram assinados em 16 de setembro e inseridos em processo eletrônico em 1º de outubro, segundo registros obtidos por meio da LAI.

Documentos registram tramitação sigilosa do reajuste do Bolsa Família

Documentos internos do governo federal mostram que os atos administrativos para reajustar o Bolsa Família foram elaborados e aprovados em 24 horas, antes do primeiro turno das eleições. O benefício foi anunciado oficialmente em 17 de setembro.

Registros obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo por meio da Lei de Acesso à Informação indicam que a tramitação ocorreu fora do Sistema Eletrônico de Informações (SEI). A Casa Civil da Presidência da República autorizou, excepcionalmente, o uso de documentos em papel para preservar o sigilo da medida até o anúncio.

Na administração pública federal, decretos, despachos e pareceres devem, como regra, tramitar pelo SEI. No caso do reajuste, ofícios, pareceres jurídicos e notas técnicas produzidos pelo Ministério do Planejamento foram confeccionados e assinados em 16 de setembro, um dia antes da divulgação do benefício.

A justificativa formal citou o artigo 51, parágrafo 2º, do Decreto nº 12.002/2024, que permite o trâmite físico em casos excepcionais. O processo registra que o procedimento foi adotado “em razão da necessidade de preservação do sigilo durante a preparação da medida”.

Documentos foram digitalizados em outubro

Como os papéis só foram digitalizados posteriormente, não é possível determinar os horários em que cada documento foi elaborado ou encaminhado pelos técnicos do governo.

O conjunto documental foi reunido e inserido em um processo eletrônico em 1º de outubro, duas semanas após o anúncio e a poucos dias da votação do primeiro turno. Segundo o Ministério do Planejamento, o processo reúne os documentos produzidos pela administração para respaldar a decisão política e orçamentária do Palácio do Planalto.