A Polícia Civil do Ceará”>Polícia Civil do Ceará prendeu 24 suspeitos envolvidos em ataques a empresas de internet no estado. Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, os criminosos, ligados ao Comando Vermelho (CV), utilizavam números com DDD do Rio de Janeiro para fazer ameaças e cobrar taxas de provedores de internet em cidades cearenses. Caso as empresas se negassem a pagar, sofriam ataques como tiros contra fachadas, depredação de veículos e rompimento de cabos de fibra óptica.
Modus operandi dos criminosos
De acordo com o delegado regional de Canindé, Cleiton Fernandes, os integrantes da facção exigiam pagamentos para permitir a operação dos serviços de internet nas regiões atacadas. Quando os provedores não aceitavam as condições, eram alvos de retaliações violentas.
Os métodos incluíam:
- Tiros contra fachadas das empresas;
- Depredação e queima de veículos;
- Rompimento de cabos de fibra óptica, deixando clientes sem acesso à internet.
Os criminosos transferiam dinheiro da facção para pessoas locais, responsáveis por executar os ataques. Após a operação policial desta sexta-feira (14), equipes da polícia estão trabalhando junto às empresas afetadas para restabelecer os serviços interrompidos.
Operação Strike contra o Comando Vermelho
A Operação Strike foi deflagrada para desarticular membros do CV responsáveis pelos ataques. Na manhã de sexta-feira (14), três novos mandados de prisão foram cumpridos nas cidades de Caridade, Canindé e Fortaleza. Além disso, cinco veículos e uma arma de fogo foram apreendidos.
Na primeira fase da operação, realizada na quarta-feira (12), 17 pessoas foram presas, incluindo cinco donos de operadoras clandestinas de internet que atuavam a serviço da facção. Entre os crimes cometidos estão tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, homicídios e outros delitos graves.
Perfil dos presos
Dois dos alvos presos possuem relevância destacada na organização criminosa, conforme explicou o delegado-geral Márcio Gutierrez:
- Um homem de 21 anos, preso em São Gonçalo do Amarante, era responsável por articular as extorsões e ataques. Com ele, foram apreendidas duas pistolas, dez munições cal. 40, celulares e eletrônicos.
- Um segundo homem, de 30 anos, financiava as atividades criminosas e mantinha uma ficha criminal extensa por crimes como tráfico de drogas, homicídio e posse ilegal de arma de fogo.
Esses dois indivíduos são apontados como chefes regionais do grupo criminoso.
Impacto nos provedores de internet
Os ataques afetaram pelo menos quatro empresas de internet no Ceará, que suspenderam temporariamente suas atividades em algumas áreas após as represálias. Em Caridade, centenas de fios em postes foram destruídos, deixando 90% dos clientes sem acesso ao serviço.
Os criminosos ainda não confirmaram se planejavam instalar um servidor próprio de internet nas cidades, visando monopolizar o mercado e lucrar com operações clandestinas. Quatro mandantes dos crimes permanecem foragidos no Rio de Janeiro.
Investigação continua
A polícia está cruzando informações para entender a magnitude da rede criminosa no Ceará. O delegado-geral Márcio Gutierrez afirmou que novos elementos do caso serão revelados apenas após a conclusão das investigações.
— Tem informações que a gente só vai poder dizer no momento oportuno. Agora, vamos fazer todo o levantamento para conectar as investigações e trocar informações, a fim de obter mais elementos do crime e que tipo de ação está sendo articulada pelos suspeitos — declarou Gutierrez.
