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Dinheiro

Commodities em alta não garantem ganhos para ações do agro

A alta das commodities agrícolas convive com riscos de avaliação, clima, custos de biomassa e acesso ao mercado chinês.

Commodities em alta não garantem ganhos para ações do agro

A valorização das commodities agrícolas não assegura, por si só, retorno para os acionistas de empresas do agronegócio. Avaliações, riscos climáticos, custos operacionais e acesso a mercados também influenciam as perspectivas para os papéis do setor.

Na SLC Agrícola (SLCE3), o Citi voltou a elevar o preço-alvo da companhia, mas o Safra iniciou a cobertura sem recomendar a compra. Segundo os cálculos do banco, a ação é negociada a 11,5 vezes o lucro estimado para 2027, acima da média histórica de 9,3 vezes.

O clima é outro fator de atenção. Embora o El Niño possa sustentar as cotações agrícolas, o fenômeno também representa risco para a produtividade da SLC na safra 2026/27, de acordo com a análise do Citi.

Custos e acesso a mercados

No etanol de milho, a expansão do setor aumenta a pressão sobre a oferta de biomassa e os custos das usinas. A integração com a cana-de-açúcar aparece como uma alternativa para enfrentar esse desafio.

Entre as empresas de proteínas, a Abiec avalia que o Brasil poderá cumprir até abril a cota de exportação de carne bovina para a China em 2027. O aumento garantido pelos chineses, porém, é de cerca de 20 mil toneladas em relação à cota de 2026, o que mantém o ritmo dos embarques como um ponto relevante para os frigoríficos.

O cenário também inclui movimentos corporativos. A Syngenta pediu registro para uma oferta pública inicial que pretende levantar ao menos US$ 5 bilhões, podendo chegar a US$ 10 bilhões. Já a Kepler Weber teve a estimativa de receita líquida para 2027 reduzida em 5% pelo Citi, para R$ 1,497 bilhão, que manteve a recomendação de venda.