Comer enquanto dirige pode parecer um hábito inofensivo na rotina corrida de muitos brasileiros, mas a prática pode resultar em multa, pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e até aumentar significativamente o risco de acidentes. Apesar de o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não proibir diretamente o consumo de alimentos ao volante, a legislação prevê punições para comportamentos que comprometam a atenção do motorista.
De acordo com o Artigo 169 do CTB, dirigir “sem atenção ou sem os cuidados indispensáveis à segurança” é considerado infração leve, sujeita a multa de R$ 88,38 e três pontos na CNH. Na prática, agentes de trânsito podem enquadrar motoristas flagrados comendo enquanto conduzem o veículo, caso entendam que houve distração.
Além disso, a situação também pode ser interpretada como infração média quando o condutor dirige com apenas uma das mãos no volante para segurar alimentos ou bebidas. Nesse caso, a penalidade sobe para R$ 130,16, além da inclusão de quatro pontos na habilitação.
Especialistas em trânsito alertam que comer ao volante compromete a atenção visual, manual e mental do motorista. O simples ato de abrir uma embalagem, segurar um sanduíche ou limpar uma bebida derramada pode reduzir o tempo de reação diante de imprevistos no trânsito.
A distração é apontada como uma das principais causas de acidentes no país. Uma fração de segundos olhando para o alimento ou tentando limpar resíduos já pode ser suficiente para provocar colisões, especialmente em vias movimentadas ou em alta velocidade.
Outro problema frequente é a queda de alimentos dentro do veículo, o que leva muitos motoristas a desviar os olhos da pista para tentar recuperar objetos ou limpar sujeiras. Manobras bruscas e perda momentânea do controle do carro também estão entre os riscos associados.
Sujeira e prejuízo na revenda do veículo
Além das questões de segurança, comer dentro do carro também pode gerar problemas de higiene e até desvalorização do automóvel. Restos de alimentos espalhados pela cabine favorecem o surgimento de fungos, bactérias e mau cheiro, principalmente em veículos que utilizam ar-condicionado com frequência.
Manchas em bancos, volante engordurado, resíduos presos entre os assentos e líquidos derramados estão entre os danos mais comuns. Segundo estimativas do setor automotivo, uma higienização completa do interior do carro pode custar entre R$ 300 e R$ 600.
Na hora da revenda, concessionárias e compradores costumam descontar esses custos da avaliação final do veículo.
Especialistas também fazem um alerta para o transporte de crianças durante refeições no carro. Bebês e crianças pequenas possuem sistemas de mastigação e respiração ainda em desenvolvimento, o que aumenta o risco de engasgos durante o movimento do veículo.
A recomendação é evitar alimentar crianças durante trajetos e, sempre que possível, oferecer refeições antes da saída.
Lei Seca segue com punições rigorosas
Enquanto bebidas não alcoólicas não possuem proibição específica no trânsito, o consumo de álcool ao volante continua sendo uma das infrações mais graves previstas no CTB.
Desde a implantação da Lei Seca, em 2008, e da política de tolerância zero ao álcool, em 2012, motoristas flagrados dirigindo sob efeito de bebida alcoólica podem receber multa de R$ 2.934,70, suspensão da CNH por 12 meses e até responder criminalmente.
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