A saída de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos teria envolvido agentes americanos, carros usados como isca e ao menos três jatos particulares, segundo reportagem do jornal argentino Clarín. O relato afirma que a família deixou o aeroporto de Puerto Iguazú por uma entrada discreta, enquanto uma van branca desviava a atenção.
Flávio perdeu o segundo turno da eleição presidencial no domingo (25) e chegou a Miami na quarta-feira (28). A reportagem sobre a logística da viagem foi publicada na sexta-feira (30) e assinada por Nicolás Wiñazki.
Imagens registraram a van de vidros escurecidos chegando ao aeroporto quase à meia-noite de terça-feira (27). A decolagem quase imediata do jato Gulfstream IV, matrícula LV-JQW, rumo a Miami reforçou a impressão de que a família estava no veículo, diz o Clarín.
Segundo o jornal, porém, os Bolsonaro teriam chegado uma hora antes, em um carro conduzido por uma entrada secreta. Agentes dos Estados Unidos teriam organizado os movimentos e afastado integrantes da Polícia de Segurança Aeroportuária e funcionários argentinos da Imigração e da Alfândega. A aeronave só teria recebido autorização para decolar 40 minutos depois.
Jatos e veículos como alternativas
O Clarín relata que pelo menos três, talvez quatro, jatos particulares foram contratados. As aeronaves teriam sobrevoado a região, pousado em Misiones ou ficado posicionadas como alternativas, inclusive uma no Paraguai. O jornal afirma que jatos chegaram a voar simultaneamente para os Estados Unidos, dificultando identificar aquele que transportava a família.
Também teriam sido mobilizadas caminhonetes e carros com placas capazes de evitar bloqueios no Brasil e na Argentina. A viagem até a fronteira teria começado por terra, com cerca de 1,6 mil quilômetros entre Brasília e Foz do Iguaçu. Seis veículos teriam saído, em sequência, da residência da família.
Segundo a reportagem, o presidente argentino Javier Milei teria enviado seu assessor Santiago Caputo a Misiones para garantir o necessário ao plano. O jornal também afirma que declarações públicas de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, antes da decolagem, de que os Bolsonaro já haviam fugido fizeram parte de manobras de distração.
Deputados democratas enviaram perguntas ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, sobre eventual ajuda da Casa Branca e atuação de funcionários dos EUA no Brasil, na Argentina ou no Equador, onde o avião teria feito escala. Rubio deve responder em novembro. O papel dos governos envolvidos permanece entre as questões sem resposta, segundo o relato.

