O Citi encerrou posições compradas no real e reduziu sua exposição a ações brasileiras, enquanto a BCA Research passou a recomendar exposição abaixo da média a ações, títulos de dívida em moeda local e crédito soberano do Brasil. As revisões foram divulgadas na segunda-feira (26), após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As instituições apontaram preocupações com as perspectivas econômicas e fiscais. A BCA vê riscos para as contas públicas, o crescimento e a inflação; o Citi afirmou que o resultado eleitoral contrariou as expectativas que orientavam suas posições no mercado brasileiro.
Em relatório intitulado The Brazilian Roulette: Fasten Your Seat Belts (A roleta brasileira: apertem os cintos), a BCA avaliou que a vitória de Lula reduziu as perspectivas de reformas estruturais que poderiam melhorar as contas públicas e o potencial de crescimento.
A consultoria também apontou aumento da inadimplência de consumidores e empresas, apesar da manutenção de estímulos fiscais. Na avaliação da BCA, reduzir esses estímulos para conter a deterioração fiscal poderia aprofundar a desaceleração e provocar uma recessão.
A desvalorização do real, acrescentou a instituição, tende a encarecer importados e pressionar a inflação, podendo exigir juros mais altos. A BCA considera as ações brasileiras particularmente vulneráveis e ressalta que uma recuperação de curto prazo não significaria necessariamente melhora sustentada.
O Citi havia ampliado sua exposição ao mercado brasileiro depois de assumir posição comprada no real antes do primeiro turno, apostando em uma vitória da oposição. Após o resultado, encerrou também a recomendação de exposição acima da média a ações em sua carteira global.
O banco informou ainda o encerramento de posições em contratos futuros do real e em títulos públicos prefixados com vencimento em 2031. Também reconheceu que os preços poderiam cair além dos níveis considerados justos, já que o mercado apostava na vitória da oposição.
Na segunda-feira (26), o Ibovespa caiu 13,88%, aos 176.608,23 pontos, e o dólar subiu 8,21%, cotado a R$ 5,403. As preocupações dos investidores se concentravam na dívida pública, no controle de gastos e nas medidas para impulsionar o crescimento.

