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Mobilização de jovens e menor abstenção ajudam a explicar vitória de Lula no Ceará

Lula obteve 68,39% dos votos válidos no Ceará, e a abstenção caiu de 15,53% no primeiro turno para 13,89% no segundo.

Mobilização de jovens e menor abstenção ajudam a explicar vitória de Lula no Ceará

A menor abstenção do país, atos de rua e mobilização de jovens lideranças estão entre os fatores apontados por especialistas para explicar a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições no Ceará. O presidente reeleito recebeu 68,39% dos votos válidos no estado, contra 31,07% de Flávio Bolsonaro.

Lula teve vantagem numérica em todos os municípios cearenses, inclusive em Morrinhos, única cidade onde Flávio havia vencido no primeiro turno. Em relação à votação anterior, Lula recebeu 480.861 votos a mais no estado.

A abstenção caiu de 15,53%, ou 1.085.522 eleitores, no primeiro turno para 13,89%, ou 971.678 pessoas, no segundo. O cientista político Emanuel Freitas, professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece), apontou como decisivos eleitores que não haviam votado na primeira etapa e compareceram à votação seguinte.

O governador Elmano de Freitas (PT) havia anunciado como metas reduzir a abstenção e elevar a 70% a votação de Lula. Para Emanuel Freitas, a reeleição de Elmano e as vitórias de Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins (Rede) para o Senado deram peso simbólico à campanha. O senador Camilo Santana (PT), que participou da coordenação nacional da campanha de Lula, também foi citado como articulador de apoios no interior.

Atos e mobilização digital

Na região metropolitana de Fortaleza, a cientista política Paula Vieira, pesquisadora da Universidade Federal do Ceará (UFC), destacou a atuação de lideranças jovens do PSOL: Léo Suricate, Gabriel Biologia e Adriana Gerônimo. Segundo ela, os atos de campanha e a mobilização nas redes ajudaram a atrair jovens para o processo eleitoral.

Entre o primeiro e o segundo turno, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) participou de um ato no bairro Parangaba. Paula Vieira relacionou a presença da parlamentar ao debate sobre o fim da escala 6×1, pauta que, segundo a pesquisadora, mobiliza trabalhadores.

Vieira também citou a atuação digital de apoiadores da campanha, incluindo o “Exército do Lula”, liderado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). No Ceará, Gabriel Biologia e Léo Suricate organizaram reuniões com eleitores e orientaram estratégias de comunicação política nas redes, afirmou a pesquisadora.