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WSJ critica reeleição de Lula e aponta riscos fiscais e institucionais

O editorial relacionou a reação dos mercados às perspectivas fiscais e criticou decisões do STF durante o processo eleitoral. Lula venceu com 51,8% dos votos.

WSJ critica reeleição de Lula e aponta riscos fiscais e institucionais

Em editorial publicado após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, o conselho editorial do The Wall Street Journal criticou a vitória do presidente e associou o resultado à reação negativa dos mercados. Lula venceu o segundo turno com 51,8% dos votos, ante 48,2% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que havia liderado a primeira etapa da disputa.

O principal índice da Bolsa brasileira caiu 10% na abertura das negociações de segunda-feira, levando à suspensão temporária das operações. Após a retomada, as perdas aumentaram e o indicador fechou com recuo de quase 14%.

Os ADRs da Petrobras caíram 14%, os do Itaú Unibanco recuaram 20% e o fundo EWZ perdeu 19,4%. O real desvalorizou 8,7% frente ao dólar, e o Tesouro Nacional cancelou leilões de títulos previstos para a semana.

O jornal atribuiu a reação à preocupação com as contas públicas e a continuidade da política econômica. O editorial afirmou que o déficit fiscal poderá chegar perto de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. Também apontou que os déficits superaram 8% do PIB em cada um dos quatro anos anteriores e que a dívida pública passa de 82% do produto.

Na avaliação do WSJ, juros elevados ampliam os custos de financiamento da dívida. A taxa básica está em 13,75%. O jornal citou ainda projeções de crescimento de 2,3% em 2025 e inferior a 2% em 2026, além de uma avaliação do Goldman Sachs, divulgada na semana anterior à eleição, segundo a qual um ajuste fiscal é “urgentemente necessário”.

O editorial também questionou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) durante a eleição. Entre os episódios mencionados está a prorrogação da votação por duas horas, determinada pelo ministro Cristiano Zanin após pedido da campanha petista e posteriormente acatada pela Justiça Eleitoral. O jornal ainda apontou que Lula poderá indicar até quatro ministros ao STF nos próximos quatro anos.

Ao tratar dos riscos econômicos, a publicação mencionou a memória da hiperinflação brasileira dos anos 1990, quando a alta dos preços chegou a superar 1.000% ao ano. O texto concluiu que a queda dos ativos refletiu desconfiança dos investidores em relação ao novo mandato.